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Maio 31, 2003
Pois ontem eu assisti aqui no MIS , em Campinas, ao filme do ANDREA TONACCI, o BANG BANG.E hoje, logo mais, as quatro da tarde no mesmo MIS irei ver o METEORANGO KID, filme de 1969, ainda no ciclo do cinema marginal, de ANDRÉ LUIZ DE OLIVEIRA. Outro filme irreverente, que irei ver pela primeira vez e depois conto das impresso~es. O cartaz que vêem aí é do tropicalista ROGÉRIO DUARTE. por JoãoAntônioBührer às 1:33 AM 1:33 AM
Acabei de ver no MIS, seguido de um acalorado debate, ao filme BANG BANG, de ANDREA TONACCI.Um filme do ciclo do chamado cinema marginal, que apareceu nos fins dos anos 60 e começo da década de 70 . Foi filmado entre 69/70 e concluido em 1971. Um verdadeiro pastiche do cinemão, destruindo todos os clichês, filme dificil de classificar. Como os outros filmes deste genero fica difícil de classificá-lo, o rótulo mais preciso é "cinema de invenção", e não "udigrudi", como foi apelidado por Glauber Rocha. O próprio Andrea não gostava do apelido do Glauber e ele mesmo é quem inventou esta expressão mais precisa. Acima podem ver uma das cenas, onde Paulo Cear Pereio faz um macaco. O filme é irreverente, pelo menos eu decifrei esta cena como se quisesse dizer que o homem é mesmo um animal, escravo de suas convenções. Pois o filme consumiu mais tempo do debate do que projeção propriamente dita. Enfim, uma obra prima, vocês precisam ver . Não é um filme fácil, mas uma vez transposto alguns degraus chega-se a algum lugar, ou a lugar algum. Afinal o filme, como o Chacrinha, não veio para explicar mas para confundir. Carnavalizar. por JoãoAntônioBührer às 1:14 AM 1:14 AM Maio 27, 2003
A revista Seleções publica uma série de livrinhos especiais, fora das bancas, naquelas promoções , que são muito legais. Há de tudo. Livros sobre a cidade do Rio de Janeiro, Livro sobre as grandes fugas, livros com desenhos de animais, livros de frases e este aqui sobre efeitos de óptica. Tenho uma vasta coleção destes opúsculos e não largo em canto algum, morrerão comigo. Geralmente a Seleções e´ uma revista careta, mas decidamente não são o caso destes livrinhos. Tente ver o efeito da capa. por JoãoAntônioBührer às 5:47 AM 5:47 AM
Hoje o quente é ver o seriado FRIENDS, mas eu curtia era o MARY TYLERS MOORE. Bem feminista, por sinal. Não perdia um episódio. Mas o engraçado é que pouca coisa reti na memória, embora tenha curtido muito. Precisaria rever tudo.Me lembro que o humor era muito forte e bem transado, como se dizia. por JoãoAntônioBührer às 5:43 AM 5:43 AM
LIVRO DOS SONHOS. Com este titulo Jorge Luis Borges publicou um livro belíssimo, aqui publicado pela Difel em 1979. Doze mágicos dançavam em roda sob o sino principal de Saint-Jean. Um atrás do outro invocou a tempestade, e desde o fundo do meu leito contei com terror doze vozes que atravessavam as trevas. Imediatamente a lua correu a esconder-se detrás das nuvens, e uma chuva misturada com relâmpagos e rajadas de vento fustigou minha janela enquanto que os cataventos grasnavam como gralhas na floresta, agüentando a chuvarada. Saltou a prima do meu alaúde, pendurado no meu tabique; o pintassilgo sacudiu as asas, em sua gaiola; algum espírito curioso voltou uma página do Romam-de-la-Rose que dormia na minha escrivaninha. Acima está um trecho de um dos sonhos, sob o título de A RODA SOB O CAMPANÁRIO. por JoãoAntônioBührer às 5:39 AM 5:39 AM
Eu só tenho a capa deste livro, é de um volume que estava com o miolo em frangalhos, aí achei por bem salvar pelo menos a capinha. Pelo que pude perceber a capa é sobre uma pintura do surrealista Magritt., será mesmo? Alguém versado em alemão poderia traduzir isto.? Tenho um dicionarinho alemão português aqui mas não contem a palavra GREER. por JoãoAntônioBührer às 5:36 AM 5:36 AM Com vocês mais um mini-conto de KIJ: PETITS CONTES VOYEURS Key ¿ 7/1000 Os colegas todos sentados em bancos baixos, ela ia e vinha diante deles, sem parar. Usava a malha azul de ginástica, embora não fosse possível acreditar que iria à academia com botas de saltos de doze centímetros. A malha aderia como uma pintura a cada milímetro do corpo exato, inclusive virilhas e rego. Não vestira a calcinha, para não deformar a esfericidade perfeita do rabo. A rapaziada feliz ferrava as partes penetráveis delineadas pela malha fina com perfeição. Às vezes, num gesto de pudor ela ocultava a saliência venusiana com o livro, mas logo o retirava, num gesto lento e provocante. O ritmo do andar reforçava a intensidade do strip-tease minimalista. PETITS CONTES VOYEURS Key ¿ 8/1000 A prova estava sendo feita no atelier ¿ um mar de pranchetas, colar é difícil. Ela terminou cedo, precisava pouca nota. Arrumou as coisas na bolsa, desceu com cuidado da banqueta equilibrou-se sobre os saltos das botas e foi andando em direção à mesa do professor. Andava devagar, para manter o equilíbrio e as ondulações certas nas ancas, mas também para dar tempo aos colegas de escutarem o som dos saltos e a verem passar. O jeans novo, recém ajustado, aperto forte. Nenhuma ruga, nenhuma sobra de brim, por milimétrica que fosse, aliviava a pressão nas ancas, no rabo, nos quadris, na fenda. As longas coxas se movimentavam devagar um pé exatamente à frente do outro o rebolado mais perfeito possível. Chegou à mesa, largou a prova, Inclinou-se para a frente para assinar. Mais um botão fugiu de casa, o decote da camisa justa e xadrez, deixou ver os lindos peitinhos. O professo viu até o umbigo, suspirou, atrás os colegas gemiam pelo rabo empinado. Fez o percurso de volta igual: mesma velocidade, mesmo sorriso, mesmas ondulações, mesma música dos saltos... por JoãoAntônioBührer às 5:31 AM 5:31 AM Maio 22, 2003
O pessoal critica o fato do merchandising estar hoje em tudo quanto é canto, em novelas, revistas, rádio e até nas ruas. Mas antigamente isto também acontecia, e até os vetustos escritores se utlizavam desta boquinha. Vejam este anúncio do MANUEL BANDEIRA fazendo anúncio das tintas Parker. Um Belo anúncio, publicado na Seleções, no inicio dos anos 60 por JoãoAntônioBührer às 2:23 AM 2:23 AM
Finalmente a editora Salamandra trouxe à luz o álbum TODO PERERÊ número 2. É uma coletânea das historinhas já publicadas na década de 60 e também da segunda fase, publicadas em 1975. Na apresentação Ziraldo explica que o que motivou-o a mostrar as novas gerações as aventuras da Turma da Mata do Fundão, capitaneado pelo Pererê , foi o fato do gibi ser efêmero, só sobreviver nas estantes dos colecionadores. Para ele uma coletânea dessas se sustenta pois o livro tem permanência maior.E tem toda razão, os gibis do Pererê estão raros,e a molecada de hoje precisa conhecer esta obra prima. Um mundo de fábulas, daquelas do tempo em que os animais falavam, mas que se passam na realidade brasileira, sem sotaque e muito critico. Mas também lírico e humano, enfim uma obra litero-gráfica de permanência eterna. Mas há algumas bobagens nesta edição, bem feita e bem colorida. Sim, este blogueiro tem criticas ferozes. Na ânsia de dourar a pílula e torna-la mais atraente a equipe do Ziraldo mexeu nos originais. Mudou as cores, acho que até deu uma refazida no traço, enfim para embalar o produto para as novas gerações deu uma arredondada naquilo que era já uma obra prima. No meu entender eu acho que quando se republica uma história em quadrinhos, antologizando-a, tem que se respeitar o original. Acho que deve ser , se possível, até em fac-simile. Só assim aquilo vale como ducumento. Eles por exemplo tiraram as reticulas das aventuras dos anos 70, uma coisa ruim. Significa que eles renegaram o que fizeram antes, pois retícula era moda nos quadrinhos dos anos 70, e não se pode fugir desta verdade histórica. Pois mudaram as cores originais, enfim, no meu entender é uma bobagem. Acho que os leitores atuais iriam curtir adoidado as aventuras da Turma, com todas as imperfeições de época, e assim sim este TODO PERERÊ seria um verdadeiro documento de época. Nós que já vimos os gibis, como de fato foram publicados, estamos bravos com o Ziraldo. Muito bravos. Mas antes assim do que nada. O que fica disto tudo é que mexidos ou não as aventuras da Turma do Pererê são geniais, e merecem ser vistas no original ou nesta versão. por JoãoAntônioBührer às 2:22 AM 2:22 AM
Com o decorrer dos post meus minguados leitores irão notar que vivo me repetindo, falando de assuntos muito parecidos, correlatos, enfim estas coisas. O que fazer né, nós somos escravos de nossos gostos, para não falar dos vícios. E um destes vícios é curtir os desenhos do suave ALCEU, que desenhava as mais belas moças dos anos 40/50 e 60, na revista O Cruzeiro. O artista também se dedicava a publcidade, trabalhou pra OS MOINHOS SANTISTAS, fazendo por exemplo folhinhas e anúncios. Vejam um deles, publicado na revista ELITE, abril/ maio de 1946. por JoãoAntônioBührer às 2:19 AM 2:19 AM Maio 17, 2003
Esta é a capa do primeiro número da SELEÇÕES brasileira. Começou a circular vinte anos depois da nave mãe, a edição americana. Claro que foi o grande veículo de propaganda do american way of life. Mas tem seus méritos, isto é, sabia agradar os leitores. Incrivel como o Brasil americanizou-se de lá pra cá, é só ver os anúncios para verem o quanto nos imbicamos pro lado deles. por JoãoAntônioBührer às 1:09 AM 1:09 AM
Não entendi isto, sempre achei que o filme do Hirchock FRENZY se chamava FRENEZI, aqui no Brasil. Até ver este cartaz. A menos que seja o cartaz de Portugal. Quem sabe... por JoãoAntônioBührer às 1:03 AM 1:03 AM
Recebi o convite para ir ver a exposição de GUTO LACAZ chamada CONTAS ANACÍCLICAS, mas na hora não entendi o que era realmente. Só agora que ele me mandou o livreto da exposição, magnificamente editado, com fac-similes do material exposto, é que fui entender de fato. O poeta Guto resolveu homenagear as pessoas que fazem palindromos. E como não quisesse fazer com letras ou palavras resolveu fazer com números, e começou a pescar os palindromos numéricos que achava nas contas. Veja só , o cara quando é artista extrai poesia até das coisas amargas: contas a pagar. por JoãoAntônioBührer às 12:58 AM 12:58 AM
ARI VASCONCELOS é aquele famoso jornalista da CRUZEIRO. Manteve durante anos uma bela coluna de comentários sobre música popular brasileira, alem de escrever sobre uma infinidade de outros assuntos.Também de vez em quando escrevia o texto das GAROTAS DO ALCEU, enfim era pau para toda obra na revista. Tenho quase todos seus livros. Imagino que deve estar vivo, embora não o tenha visto por aí. Acho que vi uma entrevista dele no Jô há uns cinco anos, a propósito de não sei o quê. Mas torço pra que esteja bem vivinho, pois o cara é uma fera. Acabei de achar aqui com um vizinho um livro dele que eu desconhecia, é o A NOVA MÚSICA DA REPÚBLICA VELHA , de 1985, com capa de de Millôr Fernandes. Acho que foi uma edição bancada pelo próprio Ari, não há indicação de editora alguma. Só a de que é a primeira edição. Portanto rarissima hoje em dia. Emprestei o livro de meu amigo e li numa socada só. E olhem a bela capa do Millôr. Não é uma beleza? por JoãoAntônioBührer às 12:53 AM 12:53 AM
O jornalista e cartunista ERICO SAN JUAN tinha uma página de humor em Piracicaba, que infelizmente deixou de circular. Chamava-se RIO, e publicava cronicas, cartuns e quadrinhos. Havia uma seção em que ele registrava as grandes capas de discos do Brasil, igualzinho aqui ao nosso Grafolalia. Inclusive abordou, coincidentemente coisas que também apareceram aqui no Grafo. Prova de que ó bom gosto imperou entre nós. Pois neste mesmo espirito eu registro uma capa do ALDEMIR MARTINS. Aqui vai apenas um detalhes do disco, é que a música do disco não é muito boa, pelo menos na opinião deste blogueiro. O disco se chama VIOLINOS MÁGICOS N.2 , daqueles de capas duras, dos anos 50. Aldemir foi um grande artista gráfico, fez capa de discos, ilustrações de livros e revistas, ladrilhos, ilustrações de pratos, roupas, etc e tal. Um genio das artes. por JoãoAntônioBührer às 12:44 AM 12:44 AM Maio 16, 2003
MANARA pinta em meu blog pela primeira vez, com todo o prazer. O motivo pelo qual estou postando esta imagem do Manara é para criticar a moral americana, mas em todo caso não precisa ter motivo algum pra mostrar o mulherio do homem. Vá desenhar mulher assim lá na casa dele. Pois Manara fez uma bela adaptação de GULLIVER para seu universo erótico. Criou a personagem GULLIVERA que vive as mesmas aventuras do famoso personagem, só que mais interessante e com mais bom humor.Naquela célebre cena em que há um incêndio no reino dos homens pequeninos de Lililiputh ela simplesmente mija pela janela para apagar o incêndio. Mas eu não quero falar da historinha, que é uma obra prima dos quadrinhos, mas sim da moral americana. Eles que vivem arrotando que são a pátria da liberdade, e coisa e tal. Pois eles censuraram a obra do Manara. Eu tenho a edição francesa, um álbum com a aventura completa, e também tenho a edição brasileira da HEAVY METAL, e em ambas nada foi censurado. Pois há tempos atrás achei a edição americana da HEAVY METAL, datada de July de 1997, e não é que há censura. O que mais me deixou boquiaberto é que a revista HEAVY METAL não é uma revista para colegiais, é para adultos. E vai se censurar uma obra dessas justo numa revista de adultos? Então nem adulto nos EUA pode ver xoxota desenhada pelo Manara? Notem bem, este circulo onde está escrito I ´M AFRAIDE TO FIND OUT WHAT IT IS..., como se fosse um ridículo balão, não existe no original.Que ridículo. por JoãoAntônioBührer às 7:37 PM 7:37 PM VIAGEM A SÃO PAULO NO VERÃO DE 1813, do médico GUSTAVO BEYER. O seu Odilon, novamente falo deste herói, que edita a REVISTA BIBLIOGRÁFICA E HISTÓRICA (Puccamp), há exatos 35 anos, lançou esta obra como uma edição especial de sua revista. Foi a de número 145, janeiro/março 1992.Com isso sua valente revista supriu uma falha do mercado editorial, já que este livro estava sem edição há dezenas de anos.Publicado originalmente em Estocolmo, pelo médico sueco, que aqui estivera no começo do século XIX, só teve uma edição brasileira em 1908. Depois só mesmo esta edição do seu Odilon. Vou transcrever apenas um parágrafo, logo dos começos dos relatos do médico: ¿A Bahia possui grandes docas, fábricas de algodão, fumo e aço, tão boas como na Inglaterra. Tem espaçosos hospitais e quartéis para as tropas, que no último ano foram aumentadas com dois regimentos de infantaria e um de cavalaria, comandados pelos respectivos oficiais escolhidos entre os excelentes oficiais do exército português na Europa. Uma esquadra ligeira permanece sempre no porto¿ ![]() ![]() por JoãoAntônioBührer às 7:35 PM 7:35 PM
O BRASIL NA BRASILIANA, de ODILON NOGUEIRA DE MATOS, edição da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 1994. Pois é, o fabuloso Odilon, que edita a revista NOTÍCIA BIBLIOGRÁFICA E HISTÓRICA, publicou como se fosse um número especial de sua revista(menina dos olhos dele), um verdadeiro mapeamento de todos os livros publicados nesta fabulosa coleção. Comenta livro por livro todos os quase quatrocentos volumes . Há detalhes e informações sobre cada obra que são preciosos, qualquer presquisador ou interessado em história e cultura do Brasil não pode ficar sem este manual. Por ele rapidamente nos localizamos e nos tornamos entendidos em Brasiliana. Um trabalho de fôlego, de todo uma vida, mas feito com carinho e com a grandeza dos bons escritores. Embora a formação de seu Odilon não seja a de um bibliotecário, assim como Rubem Borba de Morais também não o foi, ele fez um volume em que sistematizou todos os conhecimentos necessários para se adentrar nesta coleção.Borba de Morais também não era formado em biblioteconomia, mas acabou fundando escolas de biblioteconomia e se tornou um Bibliófilo mestre, e não aprendiz como se autodenominava.Mas O Borba é assunto para outro post, é tão grande quanto seu Odilon, merece ser falado com mais vagar. por JoãoAntônioBührer às 7:33 PM 7:33 PM Maio 13, 2003
ODILON NOGUEIRA DE MATOS, é este o nome de uma figura notável, que edita uma brilhante revista de história e bibliografia. O conheci exatamente no dia de hoje, muito embora pareça que já fazem anos. É que eu leio sua revista há tempos, de uns quinze anos para cá dei pra pescar estas perolas nos sebos.Ele tem quase 90 anos, a vida toda dedicada ao ensino e a cultura. Primeiramente na USP e depois na PUCCAMP, onde está há 46 anos.Nasceu numa pequena cidade chamada Piratininga, que só foi rever agora pouco. Continua na ativa, escrevendo, participando da Academia Paulista de Letras, onde tem uma cadeira e também na PUC. Edita sozinho a NOTÍCIA BIBLIOGRÁFICA E HISTÓRIA há 35 anos, sem parar. Manda os originais para a gráfica e depois ainda revisa.A PUCCAMP que a patrocina, cabe a impressão e distribuição, que é gratuita . Me contou que sua revista recebe colaborações de todo país, e nunca faltou material, sobra inclusive .Por falta de colaboração sua revista nunca parou, e imagina que nunca deixará de circular. Costuma inclusive a manter prontos alguns números com relativa antecedência.. Neste momento veio a luz a edição número 189, ano XXXV, referente a abril/maio/junho2003. Como de hábito a capa é sempre igual, padronizada, o que muda é apenas a cor. O fato de não ter grandes sofisticações gráficas, não ter ilustrações, até torna a revista inda mais interessante. Não nos desviamos e vamos direto a fonte, os textos, que são preciosos. É uma revista exencialmente de história, mas também passa pela arte , ou melhor dizendo cultura. Parafraseando o Fernando Pessoa, nada que seja humano é estranho a revista do seu Odilon. Pela NBEH pode-se entender o movimento editorial brasileiro, no que concerne a história e a cultura brasileira. Pode-se ter uma visão ampla da bibliografia brasileira, pode-se finalmente entender um pouco(muito) da história do Brasil. Esta edição traz entre outros os seguintes assuntos: VA PENSIERO SULL ALI DORATE, artigo de Odilon Nogueira de Matos sobre ópera. VIAGEM NO TEMPO; A PROPÓSITO DE ALGUNS BAIRROS DE CAMPINAS, pesquisa de Maria Lúcia de S. Rangel Ricci. AS MUITAS FACES DE ÁLVARES MACHADO, de Duílio Battistoni Filho. A SÃO PAULO DE LIBERO BADARÓ, por Lincoln Secco e Marisa M.Deacto. A IUGUSLÁVIA CONTRA O OCIDENTE NA GUERRA DO KOSOVO, de José Carlos Guireli. AS VIRGENS NEGRAS, de Nilza Botelho Megale. Alem destes artigos, os mais diversos, alguns até da história recente, o que demonstra que a revista é ágil e atual.Entre e outras coisas, há seções fixas. Uma delas é DE UMA PASTA DE VELHOS RECORTES, onde seu Odilon pega antigos recortes que guardou pela vida afora. Nesta edição ele transcreveu de um destes velhor jornais DIFERENÇAS ENTRE AS ALDEIAS DO PARAGUAI E DO BRASIL, do historiador Serafim Leite.Há´ainda uma seção chamada RABISCOS DE UM ESCREVINHADOR, que republica artigos e notas de seu Odilon, publicados originalmente na imprensa de Itu. Enfim, a revista dele é de tirar o fôlego, falo apenas do último número, o que vocês vão encontrar nos números anteriores é um mundo de informação. Impossível de ser descrito aqui. Não imaginam que ele publicou um volume especial da revista, em 1994, em que relata uma à uma as edições da biblioteca Brasiliana, publicadas pela Companhia Editora Nacional. Também publicou uma edição especial republicando um importante livro de viagens sobre o Brasil chamado VIAGEM A SÃO PAULO NO VERÃO DE 1813, de Gustavo Beyer. As publicações são de amargar, é claro que ainda voltarei ao assunto e relatarei mais novidades sobre a obra deste homem da cultura. Falar de seu Odilon e sua revista é um saco sem fundo, não acaba nunca. por JoãoAntônioBührer às 8:55 PM 8:55 PM Nosso editor de quadrinhos agora resolve filosofar e faz um post um pouco diferente. GIBI BLOG ANO II NÚMERO 12 AREIAS FILOSÓFICAS Será mesmo a pressa a eterna inimiga da perfeição? Quantas vezes você ouviu este antigo e popular provérbio? Ou então aquele ¿De tanto pensar morreu um burro¿. Pois a falta de Reflexão leva muita gente a cometer erros primários quanto colossais. Erros que a vida não perdoa, afinal a ampulheta do tempo não perdoa. Ressentimentos e rancores são atitudes típicas que levam do nada a lugar nenhum, definham a fé e a esperança. Acabam por compuscar a prosperidade tão sonhada. Há algum tempo assisti a um programa de TV, onde o entrevistado, com olhos lacrimejantes, afirmou ter jogado fora 12 anos de sua existência, além dos enormes prejuízos morais e materiais que sofreu. E deixava bem claro as chagas do arrependimento ainda bem vivos em seu corpo e mente. Tudo conseqüência de uma decisão apressada e insana.Olhando firme para seus entrevistadores, foi enfático: ¿Antes de tomar uma decisão drástica pra seu futuro, considere antes o que irá enfrentar.Se tiver dúvidas, por mais infirmas que sejam, isole-se numa praia. Fique num canto e comece a contar os grãos de areia. Quanto tiver completamente exausto de tal gesto, verá que que a reflexão adquirida o ajudará a tomar a decisão certa¿. E este escriba finaliza. Num mundo tão misterioso quando fascinante, até minúsculos grãos de areia tem o poder de lhe proporcionar a oportunidade de descobrir o mais precioso de todos os tesouros: sabedoria. TEXTO , de ANTONIO CLAUDINEI FERRARI por JoãoAntônioBührer às 11:07 AM 11:07 AM
Anúncio da revista Seleções dos anos 60. GIBI BLOG ANO II NÚMERO 11 FUTEBOL DENTE DE LEITE: QUANDO O FUTEBOL FOI EDUCATIVO. ¿Dente de leite, meu futuro é ser craque/Sou dente de leite, sou o craque de amanhã/Escola da bola, me ensina a jogar/ Eu sou do país que é o tricampeão/Tostão é meu mestre, Pelé é meu irmão/ E eu tenho que honrar minha grande nação. Ano de 1969, TV Tupi, esta era a música tema do programa. Os jornalistas ROBERTO PETRI e ELY COIMBRA abriam mais uma rodada do CAMPEONATO PAULISTA DE FUTEBOL DENTE DE LEITE, da seguinte forma: ¿ Craque na bola, craque na escola, bola no pé , livro na mão! ¿ O pioneirismo deles logo se tornou uma fébre nacional, afinal a TV Tupi atingia praticamente todo o território nacional, então a maior rede de televisão da América Latina. Garotos entre 12 e 14 anos, representando os mais tradicionais clubes de futebol do estado, corriam atrás da bola todos os sábados pela manhã, no Estádio Nicolau Alayon, campo do tradicional Nacional A.C. As partidas tinham direito a prêmios nos finais de jogos e entrevistas.Tudo como no futebol da gente grande. A disciplina era regiamente cobrada, e com afinco. Os clubes participantes eram obrigados a apresentarem os boletins escolares de seus atletas mirins. Quem não tivesse boas notas era impedido de jogar. O garoto que praticava alguma indisciplina dentro de campo não era expulso, mas sim substituído. Uma espécie de cartão azul dos árbitros, que assim agiam como educadores. Logo as fábricas de brinquedos colocaram nas lojas a BOLA DENTE DE LEITE, com o símbolo dos garotos. Foi chamada de ¿ A bola do craque de amanhã¿. Todo garoto sonhava ter uma . Não tardou para que Petri e Coimbra vissem seus méritos reconhecidos, pela semente plantada. No ano seguinte receberam das mãos do inesquecível BLOTA JÚNIOR , o troféu ROQUETE PINTO, mais importante prêmio da TV na época.E a semente germinou. Apareceram novos colaboradores, SÉRGIO BOPLANOS e EDILSON Cadico COIMBRA (irmão de Ely). Torneios interestaduais foram promovidos, mas o que marcou mesmo foi a decisão do primeiro campeonato paulista em 1969. São Paulo e Nacional decidiram o título, e o Estádio Nicolau Alayon teve que fechar os seus portões horas antes da decisão. Estava superlotado. Além da Tupi a extinta Rádio Marconi transmitiu o jogo. Após 40 minutos de intensa emoção (os jogos eram divididos em dois tempos de vinte minutos cada), o Nacional venceu o São Paulo por 1 a zero. Gol do garoto Osmar, após receber um lindo passe do meia Bió. Os garotos do favorito São Paulo, uma máquina de fazer gols, pareciam incrédulos com o resultado final. O heróico Osmar, autor do gol da vitória, chorava copiosamente diantes das câmeras e microfones. Denunciando uma imparcialidade pouco vista em nossa imprensa esportiva ROBERTO PETRI declarou: ¿ O São Paulo teve o artilheiro da competição, o garoto Colonnese, o melhor jogador do campeonato, o menino Muricy, mas hoje o Nacional foi o melhor e venceu com justiça. Méritos pois ao campeão." No ano seguinte o São Paulo se sagraria campeão. TEXTO; ANTONIO CLAUDINEI FERRARI por JoãoAntônioBührer às 11:00 AM 11:00 AM
GIBI BLOG ANO II NÚMERO 10 O DEMOLIDOR, DOS QUADRINHOS PARA O CINEMA O garoto MATT MURDOCK perdeu a visão ao ser atropelado por uma pick-up que transportava produdos radioativos. As substâncias químicas o cegaram, mas descobriu que seus outros sentidos haviam sido extraordinariamente ampliados. Justiçou os assassinos de seu pai, um boxeador decadente, e tornou-se o DEMOLIDOR, o homem sem medo.A principio seu uniforme era amarelo e vermelho, para pouco depois ficar apenas vermelho. Tornou-se um demônio a serviço do bem. Foi assim que foi concebido, na década de 60, por STAN LEE e BILL EVERETT. As diferenças pra quem irá ver o filme, récen lançado nos cinemas, deste seu inicio são muito sutis. A bela adaptação para os quadrinhos, do filme, lançada pela Panini no Brasil, também oferece sutis diferenças. Um fato curioso é que DEMOLIDOR não é o único super-herói deficiente dos gibis. CHARLES YARRER, líder dos X.MEN; NILES GAULDER, o chefão da Patrulha do Destino, são paraplégicos. A BATMOÇA aleijada pelo Coringa e tornou-se a heroína ORÁCULO. O bilionário Tony Stark, o HOMEM DE FERRO, sofre de cardiopatia. RAIO NEGRO, líder dos Inumanos, não pode abrir a boca pois sua voz é devastadora. Ciclope, dos X-MEN, usa óculos especiais para controlar suas devastadoras rajadas óticas. NICK FURY, o todo poderoso chefão da SHIELD, usa tapa-olhos. E o que falar de nossos deficientes , da vida real, que se mostram os verdadeiros super-heróis ao enfrentarem uma civilização que não os levam em conta? Texto de ANTONIO CLAUDINEI FERRARI. por JoãoAntônioBührer às 10:56 AM 10:56 AM Maio 11, 2003
Para comemorar o dia das mães nada melhor do que recordar uma página da história em quadrinhos THE SUPERMÃE, do mestre Ziraldo. Tirei de um álbum de titulo homonimo, lançado pela Abril, em 1981.No formato de histórias em quadrinhos Ziraldo fez um belo comentario do que é ser mãe neste planeta. No livro ainda há um belo ensaio de Helio Pelegrino, sobre este tema tão candente. Ziraldo começou a publicar THE SUPERMÃE no Jornal do Brasil, em 1969, mas logo em 1970 transferiu seu personagem para a revista Claudia, na última página, onde ficou até o final dos anos 70. por JoãoAntônioBührer às 2:22 AM 2:22 AM Maio 9, 2003
JOELHO DE PORCO é um daqueles grupos musicais que é difícil de classificar. É rock? Poderiamos dizer que é de humor ou então conceitual. Mas por um tempo também foi rotulado como PUNK. É um grupo interessante, passou por várias fases e várias formações. Aqui lhes mostro o visual do grupo em 1978, no tempo das discotecas. Me lembro bem que neste ano eles foram( iriam), a Itapeva, cidade em que morava, pra um show. Não faço idéia de como é que eles conseguiram vender um show punk para uma cidadezinha conservadora, naquela época só dava discoteca e aquele visual lamê da disco-muisc. Um punk em Itapeva pareceria um ET. Mas eles não apareceram no Operário, para o show, vai ver que tudo fui uma mentira do dono do clube Operário, então em franca decadencia. por JoãoAntônioBührer às 2:02 AM 2:02 AM
Panegirista de criticas sincerissimas por la universidad aduladora de Meyer.Dessa maneira é que foi identificado o autor da seção EL PIF PAF, na edição espanhola de OCRUZEIRO, de 16/05/59. Não sei onde coloquei as páginas originais, que são coloridas, pois só achei esta cópia em preto e branco pra postar aqui. Uma pena pois o colorido do Millôr é genial. Algum editor ainda precisa fazer um livrão reunindo todas ás páginas do Pif Paf do Millôr, mas fac-similarmente, como saíram originalmente. Editar não vale, póis isto ele já faz regularmente quando republica coisas das suas seções em seus livros.Sempre é bom lembrar que a revista O Cruzeiro, no seu sonho de conquistar o mundo, chegou a publicar esta edição que era distribuida aqui na América Latina.As seções de humor também saíam e eram vertidas para o espanhol. Nada esquisito nisto, afinal o humor da O Cruzeiro´era muito influenciado pelo humor da Argentina, que naturalmente é castelhano não é.Este post vai para o GRAVATÁ, que deu nota dez para o GRAFO, na coluna dele desta semana. Sorry periferia, como dizia o Francis. Sair na coluna do Gravatá é como ganhar o Oscar dos blogs. por JoãoAntônioBührer às 1:44 AM 1:44 AM Maio 7, 2003
HELENA KOLODY é a grande poeta paranaense viva, acho que não há quem discorde desta afirmação. Conheci seus poemas, em geral haikais e tankas, através do jornal NICOLAU , que a família Imaguire me mandava regularmente. Key e Mari me abastecia sempre dos livros e coisas da dna Helena.Agora me mandaram um livrinho simpático e barato, no sentido de preço, que custa $1,80, publicado pela DEL Editora/Letraviva, junto com o governo do Paraná, através do Pólo Editorial do Paraná. É um livro que está dentro de uma coleção bem barata, num papel de jornal, e sem frescuras. Mas o conteúdo é precioso. Foi bem editado o livrinho. Tem biografia, depoimento da poeta, ensaios, biografia e depoimentos de intelectuais sobre ela. Vou postar algumas palavras dela sobre si mesma e alguns poemas, espero que os blogueiros percebam o quanto vale esta poeta. Nasci no dia 12 de outubro de 1912, no núcleo colonial de Cruz Machado, em pleno sertão paranaense. Eram 8 horas da manhã de um dia de sol e geada. Meus pais eram ucranianos , que se conheceram e casaram no Paraná. Eu sou a primogênita e a primeira brasileira de minha família. Miguel Kolody, meu pai, nasceu na parte da Ucrânia chamada Galícia Oriental, em 1881. Tendo perdido o pai na grande epidemia de cólera que assolou a Ucrânia em 1893. Miguel, no ano seguinte, emigrou para o Brasil com a mãe e os irmãos. Mamãe, cujo nome de solteira era Victoria Szandrowska, também nasceu na Galícia Oriental, em 1892. Veio para o Brasil em 1911. Vovô radicou-se em Cruz Machado, onde papai trabalhava. ¿Seu ¿ Miguel conheceu a jovem Victória e apaixonou-se por ela.Casaram-se em janeiro de 1912. Estava escrito o primeiro capítulo da minha história.E agora um pequeno poema de Helena Holody: SEMPRE MADRUGADA Para quem viaja ao encontro do sol, é sempre madrugada por JoãoAntônioBührer às 11:22 AM 11:22 AM Maio 5, 2003
JOSÉ EDUARDO GRAMANI acabou de lançar seu livro RABECA, O SOM INESPERADO. Não o conheci, mas privei da amizade de vários amigos dele.Ele foi um pesquisador e tanto da cultura popular. De uma certa forma foi um continuador da obra de um MÁRIO DE ANDRADE, ou do MARCUS PEREIRA. Com a vantagem de que era um músico de sólida formação erudita, dava aulas na Unicamp, de forma que uniu o erudito com o popular, como fizeram o pessoal da música Armorial, lá no nordeste. Eu me aproximei do universo dele um pouco depois de sua morte, quando passei a freqüentar a casa SARAU, dele e do TUCUN, que apresentava espetáculos e ao mesmo tempo tinha um jeitão de sarau mesmo, como os de antigamente. Gramani deixou este livro inconcluso, e aí sua filha, que também manja do assunto, organizou e junto com os amigos coordenou os escritos dele. E daí resultou este livro, que tem fotos e textos dele. No livro, pelo que ouvi falar, já que ainda não tenho o livro, apenas um folder, que ora lhes apresento, ele sustenta que rabeca não é violino rústico, como podem imaginar, mas um instrumento único, com sabor especial. E mais, cada rabeca é um instrumento pois geralmente é construído rusticamente, de maneira que cada um soa de modo sui generis. Uma pena que o Gramani não tenha conhecido as rabecas de DUDI MAIA ROSA, que constrói as suas com os materiais mais loucos possíveis. A última que vi foi uma lata, de cinco litros. DUDI alem do grande artista plástico que é tem um blog fantástico, dos mais belos, e interessantes. Quem ainda não o conhece não sabe o que está perdendo, é raro um artista plástico mostrar para o público seu dia-à-dia, geralmente o que se vê quando um artista mostra é uma exposição, já pronta. Acho que a experiência de DUDI é pioneira, e tenho certeza, o próprio blog dele é uma obra de arte. por JoãoAntônioBührer às 11:27 AM 11:27 AM Maio 3, 2003 XALBERTO tinha tudo para ter ser tornado um dos grandes quadrinhistas do país, mas perdeu-se pelo caminho, sinceramente hoje nem sei mais por onde anda. As últimas noticias que tive foram dele participando da revista MAD. Começou na revista BALÃO, mesmo gibi onde começaram ANGELI,LUIS Gê, PAULO CARUSO, LAERTE e CHICO CARUSO, no longinquo ano de 1973. Publicou em inumeras revistas alternativas, que pululavam na época, na revista VISÃO, e no final dos anos 70 publicou dois álbuns que são uma obra prima. Ambos pela MASSAO OHNO EDITOR. O primeiro deles foi CONTOS DE NENHUM LUGAR, publicado em 1978, numa tiragem de 700 exemplares, e hoje naturalmente uma raridade absoluta. Nesta álbum XALBERTO se deixa influencia por LEWIS CARROL e WALACE WOOD e produz uma obra prima do nonsense. Os contos são fabulosos. Louquissimos. Aqui está a capa deste álbum que merecia uma reedição, urgente. ![]() por JoãoAntônioBührer às 5:10 AM 5:10 AM |
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