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Novembro 29, 2003
Na semana que passou recebi via correio os famosos ¿feirinos¿ (pacotes cheios de papel), que o Key Imaguire religiosamente me manda há quase vinte anos. É quase um por semana, veio entre outras coisas um belíssimo folder de uma exposição da família de palhaços curitibana IRMÃOS QUEROLO, sem falar no livro A CONCHA DAS MIL COISAS MARAVILHOSAS DO VELHO CARAMUJO. Livro infantil de JOSELY VIANNA BAPTISTA, com desenhos de GULHERME ZAMONER. O livro pertence a COLEÇÃO BROCHE DE RUBIS, da Edições Mirabilia, publicado em 2000. Vejam só que pérola é este livro.Tanto os desenhos quanto no texto. Sou um velho marujo, um Velho Caramujo, e dos mares não fujo, mesmo quando a maré não está boa pra peixe. Viajo pra viver, ver e contar histórias. Mas com a minha idade (perdi a conta dos anos...), vai-se embora a memória. Para não me esquecer das coisas que vivi, comecei a gravar minhas mil aventuras em cascas de conchinhas. Tenho uma coleção: uma concha de ostra, um búzio dos recifes , um caracol dourado, uma vieira rosa A cornetinha lusa, e um catassol da Índia, a concha do Ceilão, a pantera-rajada. Cada uma delas têm , nos desenhos e cores, uma história gravada. ( De longe essas letras parecem ser desenhos, mas de perto os desenhos são letras bem pequenas). Pare escrever prefiro tinta preta de polvo, e como lápis uso a espinha de um peixe. Eu mesmo desenhei num canto de minha concha histórias que aprendi quando era menino. Vou contar pra vocês algumas maravilhas que já vi por aí, uma melhor que a outra. Só preciso da lupa, feita de escamas brancas, e da mala de areia onde guardo as histórias. por JoãoAntônioBührer às 1:07 AM 1:07 AM
DESENTUPINDO A CAIXA POSTAL 362 A minha caixa postal anda agitada. Hoje fui pegar o livro TEIA SELVAGEM DO MUNDO, do escritor mineiro OTÁVIO RAMOS. Há treze anos ele me manda suas crias, o primeiro foi o livro-gibi chamado justamente GIBI, depois LÚMPEN, entre outros . Geralmente os lança pela DUBOLSO, editora mineira que opera em regime de co-edição com os autores. No caso deste livro, a que estou me referindo, foi uma edição da DUBOLSO com a CIÊNCIA DO ACIDENTE. Toda a programação visual do volume foi feita pelo poeta-editor SEBASTIÃO NUNES, enfant-terrible da literatura tupinquim.Não conseguirei de maneira alguma descrever a exuberância da livro, quer seja no conteúdo literário quanto visual. O que me resta então é reproduzir a capa e um trecho do texto. A capa é do pintor americano TOBEY, que fazia estes troços caligráficos em fundo colorido, como diz a apresentação, bem antes do Pollock. É impossível dizer o que é o livro, se são crônicas, contos, poemas, e o diabo a quatro. Inclusive o livro flerta com a internet, tem horas que nos manda passar o mouse por cima da palavra grifada pra nos remeter a um outro lugar. E o que é a literatura que não seja isto, palavras, metáforas, que nos linkam com mundos intexistentes? É um livro instigante que li mas não conseguir definir, serão reportagens? Não sei, sei que é literatura da pesada. Se este livro fosse lido na web , a palavra ALIANÇA ¿ sublinhada e diferenciada em cor ¿ abriria, ao clique do mouse, link para outra página ¿ cena captada dentro de um automóvel, numa cidade estadunidense da costa oeste e, assim, sucessivamente , à devastação causada por um terremoto e, daí para um texto que narraria a trajetória do sol em um dia, remetendo o leitor para aberturas em vai-e-vem, da frente pra trás, de trás para a frente, emanharadamento de túneis laterais a derivar também à esquerda , ou estreitas entradas para cavernas , à direita , grutas abissais, despenhadeiros subterrâneos, imbricação simultânea de elementos virtuais, deslocando o navegante, qual Teseu contemporâneo, vertiginosamente , ao poço sem fundo, trama de teias entrelaçadas, labirinto hi-tech infinito, rede de linhas entrecruzadas de passagens secretas, úmidas e escuras ¿ paredes cobertas de musgo e limo, a porejar água da pedra ¿ em busca de um indefectível , inatingível Minotauro on line. ![]() por JoãoAntônioBührer às 12:56 AM 12:56 AM
O Quirino era meu amigo. O casal Quirino e Hilda Campofiorito era muito querido na cidade de Niterói, onde moro. O pintor Campofiorito foi expulso da Faculdade Nacional de Belas Artes, junto com outro amigo Abelardo Zaluar e Mario Barata, pelos GORILAS que promoveram os dias mais tenebrosos do Brasil _ A DITADURA MILITAR . Eu gosto muito dos trabalhos da Hilda Campofiorito, uma mulhger digna e exemplar. Ela nos deixou saudades com a sua partida... Quirino Campofiorito por Ítalo Campofiorito Pintor, desenhista e ilustrador gráfico, crítico de arte e professor, Quirino Campofiorito nasceu em Belém, no estado do Pará, em 7 de setembro de 1902. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes (1920-1929) no Rio de Janeiro, onde obteve o Prêmio de Viagem à Europa (1929-1934) e, depois foi Professor de Desenho Artístico (Curso de Arquitetura, 1938-49) e Composição Decorativa (1949-1969). Tendo trabalhado como ilustrador de HQ (histórias em quadrinhos) no O Tico - Tico e na Revista Infantil, desde 1917 e assinando a coluna de artes plástica de A Reação, desde 1926, Q.C. produziu constantemente, nas três vertentes de sua vida profissional - artista, professor e crítico de arte - até praticamente os últimos dias de sua vida, constituindo um caso atípico, provavelmente único, a que ele próprio, em 1992, chamou de "diferente da vida comum dos pintores". http://www.niteroi-artes.gov.br/quirinocampofiorito.html Hilda Campofiorito Por Ítalo Campofiorito Pintora, com ampla produção nas diversas formas de arte visual ou ambiental que integram o universo da arte moderna no século XX (óleo sobre tela, tecidos, cerâmica de barro, escultura, mosaico, ilustrações gráficas etc.) Hilda E. Campofiorito (H.E.C, conforme a sua assinatura) nasceu no Rio de Janeiro em 3 de agosto de 1901. Teve atuação notória no cenário da cultura brasileira - desde a sua primeira participação em coletiva pública (XXXIII Exposição Geral de Belas Artes, Rio de Janeiro, 1926) até a sua derradeira mostra de pintura no Museu Antônio Parreiras, Niterói, aos 93 anos de idade. Casada com o pintor Quirino Campofiorito, H.E.C foi aluna de Georgina de Albuquerque e frequentou, como aluna livre, a Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) de 1924 a 1929. Nessa data viaja para a Europa onde é companheira de estudos de seu marido, então titular do Prêmio de Viagem à Europa da ENBA, para cinco anos de especialização no estrangeiro. http://www.niteroi-artes.gov.br/hilda.html um abraço, LC Nighterói por JoãoAntônioBührer às 12:50 AM 12:50 AM Novembro 28, 2003 TESTES DO GRAFOLALIA. Este inicio é de um escritor muito interessante, um de meus preferidos. Quem descobrir o nome ganha um livro de presente. Foi então que me vi numa gare extremamente vazia. Tão vazia que nem a minha sombra se refletia nela. Alguém, uma voz, me sussurrou ao ouvido: CAFARNAUM. Quando o trem desapareceu sob o túnel, senti de súbito que estava perdido: chamei ¿me pelo nome para sentir minha presença, em vão busquei o último cigarro sob o paletó: os trilhos, apenas os trilhos por todos os lados. Não era noite nem era dia, as lâmpadas não sabia se estavam acesas ou estavam apagadas, um portão luzia ao fundo e todas as setas se dirigiam para ele.(...) por JoãoAntônioBührer às 12:54 AM 12:54 AM
Um dia eu hei de morar nas terras do Sem-fim Vou andando caminhando caminhando Me misturo no ventre do mato mordendo raízes Depois faço puçanga de flor de tajá de lagoa e mando chamar a Cobra Norato - Quero contar-te uma história Vamos passear naquelas ilhas decotadas? Faz de conta que há luar A noite chega mansinho Estrelas conversam em voz baixa Brinco então de amarrar uma fita no pescoço e estrangulo a Cobra Agora sim Me enfio nessa pele de seda elástica e saio a correr mundo Vou visitar a rainha Luzia Quero me casar com sua filha -Então você tem que apagar os olhos primeiro O sono escorregou nas pálpebras pesadas Um chão de lama rouba a força dos meus passosAssim termina a primeira parte do poema COBRA NORATO, de RAUL BOPP. Poema esse que veio à luz, em forma de livro, primeira em 1931, num livro com capa de Flávio de Carvalho. Este poema ainda teve edições preciosas, como por exemplo uma ilustrada por OSWALDO GOELDI, JUAN MIRÓ (vinheta), SERGIO BOPP e capa de ALDEMIR MARTINS. Pra verem que este livro alem do alto conteúdo poético esteve muito bem adornado. Até que em 1973 a Civilização Brasileira lançou a nona edição com capa e ilustrações do POTY. Que simplesmente arrasou nas ilustrações. Os desenhos do Poty realmente acabaram até ficando associados ao poema. Não consigo lembrar do poema sem que me venha à cabeça a cobra que o Poty desenhou, e que está estampada nesta bela capa. por JoãoAntônioBührer às 12:41 AM 12:41 AM Novembro 27, 2003
Hoje finalmeente recebi o número 4 da revista TUPIGRAFIA. É uma revista de artes gráficas e mais precisamente TIPOLOGIA. Estuda as letras e a sua atuação em nosso meio cultural. A pauta da revista é extremamente ágil, vai do estudo das letras clássicas até os letreiros populares, sem nenhum preconceito. Deram a revista o nome de TUPIGRAFIA para homenagear a arte genuinamente brasileira, eu imagino. E eles conseguem cobrir tudo, desde a tipologia mais antiga, histórica, como a mais modernosa do pedaço. Não deixem de ir atrás da publicação que é absolutamente impar. Não há nada igual no país, e imagino até que no mundo. Vou lhes mostrar o índice deste número quatro para aguçar-lhes a curiosidade; Capa com caligrafias. Ponto de vista caligráfico. Uma outra escrita. Sr Bride. História da Letra Set. Alan Kitching. J.Carlos. Eugênio Hirsch. Tipologia no lápis. Brasilêro, letras populares. Carandiru. Esculturas tipográficas de Rubens Matuck. Holland Posters.. Joan Brossa . Instumento de trabalho do pintor anônimo. A revista é editada em São Paulo por CLAUDIO ROCHA e TONY DE MARCO. Não percam , para entrar em contado com a revista é o seguinte: rua Topázio 661, São Paulo sp, cep 04105-002 . Ou então rocha@tupigrafia.com.br Entre as dezenas de coisas que há na revista tem a fonte SAMBA , desenvolvida digitalmente a partir de desenhos de J.Carlos. Se eu fosse ficar aqui falando de tudo não há post que agüente. Corram que o meu exemplar eu já estraçalhei. No post vêem uma foto de uma caixa de pintor anônimo por JoãoAntônioBührer às 12:50 AM 12:50 AM Novembro 25, 2003
SHIMMY era uma dança dantanho. Mas também era o titulo da uma revista erótica. Este que vos fala tem uma coleção considerável destas revista ditas fesceninas. E não para de crescer, agora um esta página de um número da SHIMMY de junho de 1926, com o belo desenho de RENATO SILVA. Quem arrumou isto foi o amigo KEY IMAGUIRE , que tem uma coleção encaderanda dela, não todos os números, mas uma boa seqüência de edições. por JoãoAntônioBührer às 1:20 AM 1:20 AM
POTY foi um dos mais importantes artista plásticos do país, embora tenha sido reconhecido mesmo foi como artista gráfico, já que a gravura em geral nem é muito reconhecida na área plástica. E o curitibano POTY foi um extraordinário gravurista. Levou para a ilustração gráfica toda esta sua técnica da gravura. Assim tornou-se um dos mais importantes capistas e ilustradores de livros do país. Marcou época na editora José Olympio. Esta capa que vêem aí é dos anos 50, o desenho dele ainda se transformaria um pouco, até fixar-se na forma final, lá nos anos 60. por JoãoAntônioBührer às 12:55 AM 12:55 AM
A primeira edição de DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS foi publicada pela MARTINS FONTES, em 1966. Nesta época os livros todos de Jorge saíam pela prestigiosa Martins, que seguia na mesma linha da José Olympio.Digamos que era uma co-irmã. Tinha o mesmo carinho e o mesmo cuidado gráfico com seus autores. E com Jorge então nem se fala. Este livro tem capa de Clóvis Graciano, retrato à bico de pena de Jorge por Carlos Scliar e ilustrações de Floriano Teixeira. Querem mais? Pois há uma aparesentação desenhada que é uma maravilha. Vejam a Esotérica e comovente história vivida por Dona Flor, emérita professora de arte culinária e seus dois maridos... no traço do oficial do lápis Floriano Teixeira. por JoãoAntônioBührer às 12:39 AM 12:39 AM
DESENTUPINDO MINHA CAIXA POSTAL 362 Aos poucos vai se formando aqui na rede, mais precisamente neste blog, uma rede de amantes(epa!), da litetatura, artes gráficas e outras bossas. Fiz este blog há muitos posts atrás, acho que foi em junho de 2001. Por insistência da querida MEG, que praticamente o colocou no meu colo preu criar. Na verdade eu nem sabia postar, foi ela quem me ensinou tudo.Eu sabia apenas entrar nos blogs e fazer os comentários.Passei de leitor de blog a editor de blog sem perceber. Desde o começo eu queria fazer uma rede de curtidores de curiosidades grráficas e afins. Demorou mas surgiu uma patota da pesada, entre eles: Betão,Edmundo,, Key, Nei, Helô, Meg, Panis, Diva , Ana, Ciça, e muitos outros que agora me fugiram. Hoje fui buscar no correio um pacote enviado pelo JOSÉ ROBERTO PALAIO, amigo conquistado aqui no Grafo, e não imaginam o que era. Sim, a segunda edição de TIZIU E OUTRAS ESTÓRIAS, de NELSON DE FARIAS. Belíssimo livro feito pelo José Olympio, de 1962. Cada vez mais me convenço que o José Olympio foi o maior fazedor de livros deste país. O livro tem capa de LUÍS JARDIM e ilustrações em xilogravuras de MARIA DE NAZARETH. O mesmo Luís Jardim, que era funcionário da José Olympio, também fez os ornatos do miolo do livro. Enfim uma obra literária e gráfica da pesada, ou como dizem hoje, de responsa. A primeira edição desta obra tinha sido em 1960, em Belo Horizonte, por ocasião do premio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, que a obra tinha ganho. Esta edição cuja capa vêem aí, apesar de ser a segunda ,pode muito bem ser considerada a oficial, presumo que esta primeira edição não tenha tido muito cuidado gráfico. Então acho que esta acabou sendo de fato a primeirona.Não conhecia este autor, ou por outro lado, sabia levemente quem era. Agora deu pra ter uma idéia do pique dele.Esta edição aqui ainda tem o privilégio de ter mais nove histórias acrescidas. O que a torna inda mais interessante. Tiziu é o personagem que vai cruzando o livro, é aquele negrinho serelepe das antigas fazendas. No meu tempo de guri, na cidade pequena onde me criei, Itapeva, este apelido também era muito usado pros negrinhos. Ou era Tiziu, Pelé ou Gibi. por JoãoAntônioBührer às 12:37 AM 12:37 AM Novembro 22, 2003 (cont. do post anterioR MISTÉRIO NO FESTIVAL) XI Aquele grupo baiano me convidou para dançar na intro de uma canção deles. Esses músicos bolaram de colocar, lá no início, um trecho de música árabe. Sabe qual? Aquela com som de encantar serpentes. Nela meu corpo sempre faz um movimento de serpente mesmo, onde tenho a sensação de que vou me enroscar em algo ou em alguém. Meus fartos cabelos, que chegam até a cintura, acompanham esvoaçantes no movimento de vai e vem. Mergulhada no ritmo, deixo-me levar com o som. A galera delira. E eu estou completamente entregue ao movimento incessante de meu ventre na dança. Foi quando ouvi vindo da turma do gargarejo, na primeira fila da platéia, uma voz forte e máscula de grandalhão de olhos verdes que suplantava todas as outras. Ele gritava feito um demente: "vai rebolar assim lá em casa, benzinho!" Não perdi meu ritmo, ao contrário, dediquei a minha dança sensual àquela enorme criatura. Aproximando-me dele, joguei meu véu em sua direção. O que, no costume arábe quer dizer: "dedico à você esta dança". Mas o tal grandalhão era muito tímido e foi ficando pequenininho de vergonha e voltou a sentar-se no seu lugar. Uma peninha, pois ele era tão simpático! SHAINA XII Sim, denúncias naquela madrugada. Ignácio é um escrivão tarimbado. Acha uma tremenda perda de tempo alguém andar quilômetros só para falar besteiras na delegacia em que ele dá plantão. Tem nego que vem ali até para reclamar que o visinho roubou uma galinha do quintal. Dá vontade de mandar prender. Mas a lei não desampara ninguém, abre seu imenso abraço para todos. É livre vir reclamar do que quer que seja. Porém, sem exageros. A vida pede transformação. Isto o delegado mandou emoldurar e deixou na sala de espera para os reclamantes irem perdendo a descompostura e a casca grossa. Adiantou colocar este aviso futurista? Nunquinha. Em delegacia só vem casca-grossa, desocupado, vadio, bebum e problemático. Isto falando-se dos vivos. Dos mortos só se sabe pelos boletins de ocorrências. Aqueles arquivados e aqueles com o caso em aberto. Nesta madrugada ele estranha um choro de moça nova no corredor e foi ver. Uma moça de mini saia vem prestar queixa de um certo grandalhão que a está perseguindo desde que ela se inscreveu num Festival que está rolando na TV ali perto. Nisto entra Kiko Duarte preocupadíssimo com Mara e ainda escuta ela desabafar para uma corista que Mara trouxe de testemunha: ¿...foi um horror queridinha, até uma calcinha nova tive de comprar...¿ betão XIII Nesse ínterim, ainda meio que perdido com todo aquele tumulto acontecendo ao seu redor, Kiko dá por falta da Mara, aquela das pernocas na mini-saia e sai à sua procura. Um rapaz que estava afinando um dos instrumentos de uma banda, disse que vira quando um homem grandão levava a moça nos braços e a jogara dentro de um furgão preto. Por sorte, uma vez que achou aquilo estranho, ele anotou o número da placa do carro. Kiko Duarte, começou a andar em círculos enquanto pensava o que fazer com aqueles números que o rapaz lhe dera. Num estalo, com um brilho de esperança naqueles seus olhos verdes lembrou-se de Nico, seu antigo amigo de colégio, que ganhava a vida como detetive particular. Relatando o fato ao amigo, este logo conseguiu, com seus contatos na Polícia, descobrir o endereço do dono do carro preto. Dentro do carro todo equipado de Nico, Kiko bastante ansioso não vê a hora de encontrar a Mara Leão. Quando os dois vão chegando ao local que procuravam, Kiko fica surpreso com o que vê quando se aproximam da garagem... NEI LIMA XIV A garagem se abriu. Kiko e Nico entram, apenas para descobrir que estão entrando no que parece ser um porão de um clube de jazz. Eles se esgueiraram por uma escada espiral, e ficaram ocultos na coxia. O ambiente estava enfumaçado e a luz de palco não deixava que vissem a platéia. Kiko sentiu, repentinamente, uma pancada na cabeça, e apagou. Nem viu o amigo cair na seqüência. Uma mulher de ar misterioso, passou pelos dois amigos caídos com um olhar de desprezo e entrou com passos leoninos no palco, iluminada por um spot azul, vestida em brilhos como Rita Hayworth, o cabelo caído até o meio das costas nuas, e atacou um tango de Piazzolla. A banda, transpirando sob os fraques, acompanhou a voz rouca e lamentosa como pôde. Era uma distração, um estratagema para apagar as luzes da platéia, enquanto dois homens, mais semelhantes a gorilas em ternos que quase explodiam na tentativa de cobrir os músculos cuidadosamente cultivados em academia, atravessavam a multidão em busca da porta do palco, carregando os dois amigos desacordados. Uma limusine os esperava ali, com um homem oculto por um cortinado de veludo vermelho. Os gorilas jogaram os dois rapazes dentro do carro e fecharam a porta. O homem jogou água gelada no rosto dos dois e falou, com um forte sotaque francês: - Onde está a minha letra de música? Ainda tonto, Kiko teve presença de espírito suficiente para responder com bravata: - Cadê a Mara? Um minuto depois, a porta abriu-se e a cantora de vestido fatal entrou, sentou-se ao lado do francês, cruzando as longas pernas cobertas de meias negras e sorrindo como o gato de Alice. Diva Artisan XV Fumava como um condenado. O barman já havia desistido de trocar os cinzeiros, visto que era inútil: em questão de segundos eles estavam repletos de bitucas. Quantos cigarros aquele infeliz tinha comprado afinal? Parecia querer criar uma cortina de fumaça à sua volta, enquanto assistia as apresentações no palco. Sua aparência estava deplorável, barba de três dias, camisa amarrotada e encardida, gravata solta no colarinho. Mastigava os amendoins de forma metódica, como se quisesse ter certeza de que eles sofreriam com cada dentada. Os olhos estava injetados. O barman havia desistido de puxar conversa, de tentar ouvir os problemas dele. Ele tentou. Fez sua melhor pose de indiferença, enxugando um copo e fez a pergunta fatal: - Dia duro? - A resposta foi um olhar que parecia um rosnado, um sorriso que ameaçava uma mordida: - Deixa de frescura e me traz mais uma dose de Jack Daniels, tá pensando que isto aqui é um filme noir? No palco, uma gostosa num vestido apertado assassinava um tango. BOLT XVI - A Mara, meus jovens, está aqui, embaixo dos seus narizes! A assassina de tangos, de costas para eles e de frente para o espelho, levou a mão às costa e fez correr o ziper para baixo. Contorceu-se para fora do vestido, que retirou por baixo. Retirou a peruca, limpou a maquiage com um tufo de algodão. Vestiu uma blusa e a famosa mini-saia. Só então virou de frente para eles e era a inconfundível, a única, a charmosíssima Mara Leão! Kiko sentiu um frio na espinha, como quem sente os olhos se abrirem depois de um sonho ruim. Key XVII Três casais tomaram conta de uma cama king size de um dos aposentos. Todo mundo sem roupa, embora a ardente exaltação da moçada tenha feito um ou outro esquecer até que estavam de botas ou usando salto alto. A paisagem anima muito quem foi ali no quarto verificar o empenho daqueles jovens em ação: louras cheias de curvas, ruivas magras e lindas, morenas mignon. Garotos e mocinhas suadas se tocando, se beijando, se acariciando, transando como se ali fosse um set de um filme pornô. Uma gatíssima, com jeito de top model, alta, vistosa, coxas grossas, põe a boca no meio das pernas de uma outra delicínha, dessas que você também só vê em grandes desfiles de moda...Kiko deixa de lado a revista Playboy, que até este momento estava lendo sentado no meio do auditório vazio, e pensa: Suruba...taí uma coisa que nunca fiz! Ele está descansando e se recompondo do stress do Festival. Sentado ali ele vê chegar uma dançarina de tango. Ela passa descendo entre as fileiras de poltronas e sobe em direção ao camarim. Kiko rapidamente sai atrás dela. Lentamente ele abre a porta do camarim. Ela está de costas para ele e de frente para o espelho, levou a mão às costa e fez correr o zíper para baixo. Contorceu-se voluptuosamente para fora do vestido, que retirou por baixo. Retirou a peruca, limpou a maquiagem com um chumaço de algodão. Vestiu uma blusa e a famosa mini-saia. E quando ela se vira. Nossa! É a Mara Leão! Era como num sonho, isto ele já tinha visto ( ou lido) antes e não sabe onde. Paralisado pela surpresa ele pergunta balbuciante para ela: Ma..Ma..Mara...porquê isto???? BETÃO XVIII Kiko estava observando Mara tirar o disfarce no camarim, então..."Ai que susto Kiko!" # "Desculpe Mara, não era esta minha intenção..." # "Ponha a mão aqui para ver como estou!" # "No teu seio?" # "Não, bobo, no meu coração. Veja como está disparado"# "Sim, Mara. Mas isto não explica porque ultimamente você anda tão misteriosa. Conta para mim. O que está te acontecendo?"# "Certo, Kiko. Você precisa saber mesmo. Para você eu conto..." # Então Mara passa a descrever o seguinte: "semana passada, assim que saí na rua, senti que estava sendo seguida por um carro, então ouvi que mexiam comigo: "hey, têssão, hey, têssão". Pelo sotaque pensei que fosse o Vargas Llhosa , percussionista venezuelano do Festival. Mas, não era não. Eram uns terroristas argentinos que me raptaram e me aplicaram uma sessão de eletro-choque acústico, onde ouvi tango argentino por 24 horas seguidas. Quando saí da sessão de tortura eu só sabia de La Cumparsita, Mano a Mano, Cambalacha, A Média Luz, por aí afora. Sofri pra caramba, e de repente do riso fez-se o pranto, silencioso e branco como a bruma. Passei a agir também como se fosse uma terrorista argentina e quase consegui destruir o Festival. Para me livrar disto conheci uma mãe-de-santo que me aplicou uma surra de galho de arruda enquanto entoava O Amor é o Meu País. Logo depois, entrei no teatro do Festival e vi você Kiko sentado... o resto da estória já é conhecida". Kiko, que ouvia atentamente disse para Mara: "como isto merece um final feliz eu gostaria de acrescentar algo a esta estória", dizendo isto segurou na ponta de um laço que segurava o vestidinho curtinho de Mara. "Posso?" disse ele. "Claro", disse ela. E após o vestidinho cair eles trocaram um longo e sensual beijo... SHAINA por JoãoAntônioBührer às 11:33 PM 11:33 PM Este blog está publicando uma história de suspense(?), chamada MISTÉRIO NO FESTIVAL, só pra lembrar das outras experiências que já se fizeram. Está sendo escrita a muitas mãos, quantas puderem e quiserem.É só entrar neste post, no comentário., e entrar na brincadeira. Os capitulinhos serão pequeninos, de nó máximo 14 linhas, conforme o NEI LIMA definiu. MISTÉRIO NO FESTIVAL I Era chegado o grande dia: todos os cantores estavam ensaiando suas músicas e um tímido rapaz de intensos olhos verdes estava sentado a um canto escrevendo em algumas folhas de papel sobre o tampo do violão. Um sujeito de óculos escuros com um casaco preto, mostra-se impaciente, enquanto acendia um cigarro sem filtro, andando pra lá e pra cá no meio do pessoal da produção do Festival de Música que mais tarde se iniciaria. Era uma pessoa corpulenta, que se mostrava ansiosa para saber o que aquele jovem rapaz de olhos verdes estava a escrever. Fez de tudo para aproximar-se, mas não conseguia ser tão discreto com todo aquele corpanzil NEI LIMA II O rapaz do violão percebeu-o mas não se deu por achado; displicentemente dobrou as folhas e colocou no bolso. O grandalhão não se afastou, o que reforçou a idéia de alguém com as costas quentes. Do outro lado da sala, a cantora de mini-saia, sentada num banquinho, deu uma cruzada de pernas e sorriu para ele. Que agarrou a chance no ar, levantou e foi puxar papo com ela. Aí sim, o sujeito sinistro pareceu se arreliar, jogou o cigarro no chão e saiu sem olhar para trás. Ao chegar perto dela, o rapaz do violão percebeu que fora intecionalmente atraído para longe do tipo suspeito, que ela via afastar-se com grande ansiedade. KEY IMAGUIRE JR III Mas o sorriso juvenil da moça, a pele delicada e lisa que tanto se adivinhava sob a minúscula saia, o decote ousado que mal podia com os seios rebeldes, tudo aquilo fez com que ele esquecesse a prudência e se deixasse levar pelo encanto da garota. Nem percebeu quando ela trocou olhares com um rapaz que ocupava uma das cadeiras da primeira fila do auditório. Em pouco tempo iria começar o show e aquela mulher era como uma sereia ensaiando o seu canto diabólico. Ela sorriu novamente e pediu-lhe que mostrasse a letra da música que mantinha ainda entre os dedos. Ele estendeu-lhe os papéis manuscritos e amarfanhados. Um flash de câmera fotográfica estourou em seus olhos e ele nem se apercebeu quando as folhas lhes foram devolvidas - já não eram mais as mesmas. Ela trocara os papéis. E em breve, por causa disso, muita coisa iria acontecer, coisas que ele jamais ousou imaginar. HERINGER IV De repente um barulho intenso e ensurdecedor como que de um mau contato em uma das caixas de som faz com que todos levem as mãos aos ouvidos. Em seguida é anunciado que dali a apenas cinco minutos iria começar o festival de música. Nervoso, o nosso herói olha para o lado e percebe que a moça já não está mais. Como que desdenhando, pensa" Ok, mulheres bonitas existem em todos os lugares". E essa era um tanto quanto vulgar. Olha para as suas anotações e só então percebe que não eram as mesmas." Foi ela. Mas por quê? Pra quê?'' Pensa ele. Ainda estava nas coxias sem saber o que fazer, quando deu início o festival. A primeira candidata era... a tal moça! Proferiu alto um "ah, sua vaca!", que fez com que um contra-regra olhasse pra ele. Que teve que se segurar pra não invadir o palco. ANNA FORTUNA V No palco, a bela moça se preparava para iniciar sua canção, procurando algo que guardava na cintura. Era o papel! Ele quase pulou no palco para pegá-lo quando viu nos olhos da moça uma expressão de pânico. Ele não entendeu direito o que estava acontecendo com ela, que procurava insistentemente algo, olhando para os lados, para a platéia, para os músicos, quando enfim, lança um olhar aliviado para ele e corre em sua direção com um enorme sorriso: - Desculpe, acho que trocamos nossas letras, você ainda está com a minha, não está? Ele sorriu e com as mãos foi em busca do papel que pertencia a moça. Sem encontrá-lo, ele foi ficando cada vez mais constrangido e deixando a moça cada vez mais desesperada: - Ele estava por aqui, eu juro que o guardei! Dizia desesperadamente.... VICK FURACÃO VI Nisto a orquestra que vinha dando os acordes iniciais, assim tipo final de ensaio,parou! A plateia ecoou um Oh...e os atarantados personagens no palco nem se deram conta que um vulto imenso ,não discernivel plenamente, avançou e colocou a cantora nos ombros saindo em desabalada carreira palco afora. A plateia aplaudiu achando provavelmente que aquilo era uma forma nova de performance, e deixou o Kiko, o de olhos verdes perplexo. E agora? EDMUNDO VII "NO AR". O do violão ficou olhando aquela luz indicando que não poderia passar por aquela porta em direção ao palco. Escuta o som abafado do cantor, da orquestra e dos apupos da audiência que superavam, as vezes, a própria música. Enquanto o meninão acaricia seu violão, olha o sinal de "NO AR", e presta atenção em dois caras estranhos que estão por ali para entrarem no palco também. O músico intui que o cantor da vez está complicado com os Vigilantes. Aqueles dois não enganam ele não, são canas-duras que estão afim de grampear o cantor. Quando o "NO AR" apagar, ele vai poder entrar com seu violão. Mas aqueles caras vão entrar junto com ele. "NO AR" está aceso. "NO AR" está aceso. "NO AR" está aceso. "NO AR"... BETÃO VIII Primeiro gol anulado: Em meio a tanto zum-zum-zum, o rapaz pega as folhas e, com um olhar de esguelha ainda perseguindo o sinistro, pega o violão e com um sorriso quase orgulhoso, volta com a intenção de sentar-se novamente, em direção ao auditório. Sem perceber, ao acaso, vai postar-se justamente ao lado do outro rapaz com quem a insinuante garota havia trocado discretíssimos olhares. Tomando o violão ao colo, dedilhando baixinho algumas notas, mal percebe que ao longe o sujeito grandalhão disfarçadamente, por detrás de uma torre de iluminação ascendia outro cigarro e, de soslaio esticava ainda olhares sorrateiros... Balbuciando baixinho algumas palavras cantaroladas, desamassando as folhas nervosamente apertadas entre os dedos, num sobressalto põe-se de pé, empalidecendo-se rapidamente ao procurar as palavras ali anteriormente registradas. Desesperadamente olha pelo chão, por onde andara há pouco, vasculha os bolsos, põe o violão encostado na cadeira, e vira-se para todos os lados como que procurando entender o que estava acontecendo! Segundo gol anulado: Em meio a tanto zum-zum-zum, o rapaz procura as folhas e, com um olhar de esguelha ainda perseguindo o sinistro carregador da pobre indefesa, pega o violão e volta em direção ao auditório, com a intenção de sentar-se novamente,. Sem perceber, ao acaso, vai postar-se justamente ao lado do outro rapaz com quem a insinuante garota havia trocado discretíssimos olhares. Tomando o violão ao colo, emite baixinho algumas notas,enquanto tenta desvendar o mistério dos papéis desaparecidos, mal percebe que o sujeito ao lado, num sobressalto, após alguns minutos paralisado com a inesperada cena do grandalhão roubando sua parceira, corre atrás afim de socorrer a moça... Balbuciando baixinho algumas palavras cantaroladas, desamassando as folhas nervosamente apertadas entre os dedos, põe-se de pé, empalidecendo-se rapidamente ao perceber a situação inusitada. Na platéia um burburinho se formara pela não continuidade do espetáculo e, pelas caras de espanto e expressões de ansiedade que iam somando-se ao reboliço geral. Alguém tem a idéia de chamar os seguranças que até agora não haviam percebido a razão de suas presenças no recinto e compraziam-se observado as mini-saias do auditório... Esse juíz! Num sei não...!!! PÃNIS IX Durante séculos tenho sido o seu verbo. Tenho sido frágil, meiga, sensível e intuitiva, a fraca, a indecisa, a guardiã do fogão, a mãe e a esposa dedicada, a espiã das vassouras, a donzela em perigo, a magra e pálida, a que não tem espada, a que abaixa-se para pegar a vida que cai, a que ama no silêncio da vela, a que se esconde nas frestas, assim, eu tenho sido a sua linguagem, a sua construção, tenho sido a criatura que você criou e distribuiu. A que margeia sem ânsia declarada, a desidratada da noite escura, a curvada, a madeira permeável, a inefável... a identidade vaga e oca,que vem sido preenchida pelo teu sopro... a massa de modelar. LUIZA DE CASTRO X Mara acordou quando a luz do sol entrou forte pela janela. Olhou ao redor, não reconheceu o ambiente. Estava nua, as roupas espalhadas pelo chão, inclusive a famosa mini-saia. Quando acabou de acordar, sintonizou como que um ronco de motor dentro do quarto. Num canto de sombra, deitado de bruços, o enorme corpo do raptor da noite anterior, também nú. Tentou levantar, mas tinha o corpo dolorido, como se tivesse passado por uma tremenda suruba há poucas horas. Apavorada, catou as roupas espalhadas e vestiu-as em silêncio. A calcinha estava tão estraçalhada que achou melhor deixa-la por ali mesmo. Quando pegou no trinco para abrir a porta, escutou um vozeirão atrás dela: -Onde pensa que vai, mocinha?! KEY IMAGUIRE JR por JoãoAntônioBührer às 11:17 PM 11:17 PM Novembro 20, 2003
DESENTUPINDO MINHA CAIXA POSTAL 362 Esta semana recebi uma pilha de jornais de Curitiba, enviados pelo Key , e um deles traz uma bela página da Gazeta do Povo, transada pelo jornalista Valêncio Xavier. Ele publicou desenhos inéditos do genial ilustrador POTY, MORTO morto há alguns anos.´ por JoãoAntônioBührer às 7:44 PM 7:44 PM
O meu amigo BIRA, formidável caricaturista, radicado aqui em Campinas, acabou de montar um blog chamado RABISQUEIRA, todo ele dedicado ao BLUES , música de uma maneira geral, e as artes gráficas evidentemente. Será pelo que entendi uma espécie de inventário de suas observações e vivencias na área- uma espécie de impressões de viagem. Nele ele vai escrevendo e ilustrando o que viu por aí.Imperdivel pois a quantidade informações que ele acumulou sobre música e artes gráficas não é mole não. Já é um dos meus favoritos. Para ilustrar esta bela caricatura que retirei de um post do Rabisqueira tem o texto legenda. Vejam sóo texto dele sobre o música de blues CLARENCE GATEMOUTH BROWN : Esteve se apresentando no Nescafé&Blues na década de 90. Eu estava lá e assisti o seu belo show, onde tocava violino e guitarra. Na saída, dei de cara com o próprio, um negro magro, que do alto dos seus quase 2 metros de altura, tomava um delicioso chopp. Eu tinha feito esta caricatura dele, mas tinha deixado em casa. Ao lhe falar isso, ele replicou: -Man, go home and take it! Expliquei que morava em Campinas, a mais de 100 quilômetros de lá. Ele escreveu seu endereço na Louisiana, autografou o folheto do show e pediu que eu a enviasse por correio. Morreu antes que eu mandasse a caricatura. por JoãoAntônioBührer às 12:32 PM 12:32 PM
TESTES DO GRAFOLALIA No teste anterior a MEG, do SUBROSA (procurem conhecê-lo pois é a mãe deste blog), conseguiu descobrir que a NÓRA RÓNAI tinha desenhado a capa do livro do Rimbaud. Nunca imaginei que alguém fosse saber disso. Pois agora eu lanço mais um teste, ainda mais difícil , mas acho que tem uma pessoa que fatalmente o irá descobrir. Como no teste anterior o premio é um livro. O da Meg está à caminho.Dou apenas umas dicas. O jovem que fez este quadro chamado TOMARAM CONTA DE TODA A FLORESTA, censurado em 1973, e não aceito pelo Salão Nacional, foi feito por um "jovem" pintor, bem no estilo pop. Mais um artista que foi beber na fonte dos quadrinhos e nos devolveu em forma de pintura. por JoãoAntônioBührer às 3:41 AM 3:41 AM Novembro 19, 2003 (continuação do post anterior, MISTÉRIO NO FESTIVAL). XV Fumava como um condenado. O barman já havia desistido de trocar os cinzeiros, visto que era inútil: em questão de segundos eles estavam repletos de bitucas. Quantos cigarros aquele infeliz tinha comprado afinal? Parecia querer criar uma cortina de fumaça à sua volta, enquanto assistia as apresentações no palco. Sua aparência estava deplorável, barba de três dias, camisa amarrotada e encardida, gravata solta no colarinho. Mastigava os amendoins de forma metódica, como se quisesse ter certeza de que eles sofreriam com cada dentada. Os olhos estava injetados. O barman havia desistido de puxar conversa, de tentar ouvir os problemas dele. Ele tentou. Fez sua melhor pose de indiferença, enxugando um copo e fez a pergunta fatal: - Dia duro? - A resposta foi um olhar que parecia um rosnado, um sorriso que ameaçava uma mordida: - Deixa de frescura e me traz mais uma dose de Jack Daniels, tá pensando que isto aqui é um filme noir? No palco, uma gostosa num vestido apertado assassinava um tango. BOLT por JoãoAntônioBührer às 1:02 AM 1:02 AM Novembro 18, 2003
BERNARDO CARO é um formidável artista plástico. Nasceu em Itatiba, sp, mas mora aqui em Campinas há décadas. Pode não ser , mas eu comparo sua trajetória com a do NELSON LERNER, inclusive no quesito irreverência. Alguém pode achar que é coisa da minha cabeça né, o que fazer, cada um pensa o que quer, e se tem blog também escreve o que bem lhe aprouver. Bernardo tem 72 anos, e também passou pela pop arte, que impregnou toda sua obra. Como podem notar no folder da mais recente exposição dele, cuja Vernissage ocorrerá agora dia 25/11/2003, no Setor de Eventos do Tribunal do Trabalho, 15a Região de Campinas.Neste post observam um detalhe de uma das obras dele. Interessante né, e não deixa de ser engraçado ver uma freira jogando snoker. por JoãoAntônioBührer às 12:23 AM 12:23 AM Novembro 17, 2003 Este blog está publicando uma história de suspense(?), chamada MISTÉRIO NO FESTIVAL, só pra lembrar das outras experiências que já se fizeram. Está sendo escrita a muitas mãos, quantas puderem e quiserem.É só entrar neste post, no comentário., e entrar na brincadeira. Os capitulinhos serão pequeninos, de nó máximo 14 linhas, conforme o NEI LIMA definiu. MISTÉRIO NO FESTIVAL I Era chegado o grande dia: todos os cantores estavam ensaiando suas músicas e um tímido rapaz de intensos olhos verdes estava sentado a um canto escrevendo em algumas folhas de papel sobre o tampo do violão. Um sujeito de óculos escuros com um casaco preto, mostra-se impaciente, enquanto acendia um cigarro sem filtro, andando pra lá e pra cá no meio do pessoal da produção do Festival de Música que mais tarde se iniciaria. Era uma pessoa corpulenta, que se mostrava ansiosa para saber o que aquele jovem rapaz de olhos verdes estava a escrever. Fez de tudo para aproximar-se, mas não conseguia ser tão discreto com todo aquele corpanzil NEI LIMA II O rapaz do violão percebeu-o mas não se deu por achado; displicentemente dobrou as folhas e colocou no bolso. O grandalhão não se afastou, o que reforçou a idéia de alguém com as costas quentes. Do outro lado da sala, a cantora de mini-saia, sentada num banquinho, deu uma cruzada de pernas e sorriu para ele. Que agarrou a chance no ar, levantou e foi puxar papo com ela. Aí sim, o sujeito sinistro pareceu se arreliar, jogou o cigarro no chão e saiu sem olhar para trás. Ao chegar perto dela, o rapaz do violão percebeu que fora intecionalmente atraído para longe do tipo suspeito, que ela via afastar-se com grande ansiedade. KEY IMAGUIRE JR III Mas o sorriso juvenil da moça, a pele delicada e lisa que tanto se adivinhava sob a minúscula saia, o decote ousado que mal podia com os seios rebeldes, tudo aquilo fez com que ele esquecesse a prudência e se deixasse levar pelo encanto da garota. Nem percebeu quando ela trocou olhares com um rapaz que ocupava uma das cadeiras da primeira fila do auditório. Em pouco tempo iria começar o show e aquela mulher era como uma sereia ensaiando o seu canto diabólico. Ela sorriu novamente e pediu-lhe que mostrasse a letra da música que mantinha ainda entre os dedos. Ele estendeu-lhe os papéis manuscritos e amarfanhados. Um flash de câmera fotográfica estourou em seus olhos e ele nem se apercebeu quando as folhas lhes foram devolvidas - já não eram mais as mesmas. Ela trocara os papéis. E em breve, por causa disso, muita coisa iria acontecer, coisas que ele jamais ousou imaginar. HERINGER IV De repente um barulho intenso e ensurdecedor como que de um mau contato em uma das caixas de som faz com que todos levem as mãos aos ouvidos. Em seguida é anunciado que dali a apenas cinco minutos iria começar o festival de música. Nervoso, o nosso herói olha para o lado e percebe que a moça já não está mais. Como que desdenhando, pensa" Ok, mulheres bonitas existem em todos os lugares". E essa era um tanto quanto vulgar. Olha para as suas anotações e só então percebe que não eram as mesmas." Foi ela. Mas por quê? Pra quê?'' Pensa ele. Ainda estava nas coxias sem saber o que fazer, quando deu início o festival. A primeira candidata era... a tal moça! Proferiu alto um "ah, sua vaca!", que fez com que um contra-regra olhasse pra ele. Que teve que se segurar pra não invadir o palco. ANNA FORTUNA V No palco, a bela moça se preparava para iniciar sua canção, procurando algo que guardava na cintura. Era o papel! Ele quase pulou no palco para pegá-lo quando viu nos olhos da moça uma expressão de pânico. Ele não entendeu direito o que estava acontecendo com ela, que procurava insistentemente algo, olhando para os lados, para a platéia, para os músicos, quando enfim, lança um olhar aliviado para ele e corre em sua direção com um enorme sorriso: - Desculpe, acho que trocamos nossas letras, você ainda está com a minha, não está? Ele sorriu e com as mãos foi em busca do papel que pertencia a moça. Sem encontrá-lo, ele foi ficando cada vez mais constrangido e deixando a moça cada vez mais desesperada: - Ele estava por aqui, eu juro que o guardei! Dizia desesperadamente.... VICK FURACÃO VI Nisto a orquestra que vinha dando os acordes iniciais, assim tipo final de ensaio,parou! A plateia ecoou um Oh...e os atarantados personagens no palco nem se deram conta que um vulto imenso ,não discernivel plenamente, avançou e colocou a cantora nos ombros saindo em desabalada carreira palco afora. A plateia aplaudiu achando provavelmente que aquilo era uma forma nova de performance, e deixou o Kiko, o de olhos verdes perplexo. E agora? EDMUNDO VII "NO AR". O do violão ficou olhando aquela luz indicando que não poderia passar por aquela porta em direção ao palco. Escuta o som abafado do cantor, da orquestra e dos apupos da audiência que superavam, as vezes, a própria música. Enquanto o meninão acaricia seu violão, olha o sinal de "NO AR", e presta atenção em dois caras estranhos que estão por ali para entrarem no palco também. O músico intui que o cantor da vez está complicado com os Vigilantes. Aqueles dois não enganam ele não, são canas-duras que estão afim de grampear o cantor. Quando o "NO AR" apagar, ele vai poder entrar com seu violão. Mas aqueles caras vão entrar junto com ele. "NO AR" está aceso. "NO AR" está aceso. "NO AR" está aceso. "NO AR"... BETÃO VIII Primeiro gol anulado: Em meio a tanto zum-zum-zum, o rapaz pega as folhas e, com um olhar de esguelha ainda perseguindo o sinistro, pega o violão e com um sorriso quase orgulhoso, volta com a intenção de sentar-se novamente, em direção ao auditório. Sem perceber, ao acaso, vai postar-se justamente ao lado do outro rapaz com quem a insinuante garota havia trocado discretíssimos olhares. Tomando o violão ao colo, dedilhando baixinho algumas notas, mal percebe que ao longe o sujeito grandalhão disfarçadamente, por detrás de uma torre de iluminação ascendia outro cigarro e, de soslaio esticava ainda olhares sorrateiros... Balbuciando baixinho algumas palavras cantaroladas, desamassando as folhas nervosamente apertadas entre os dedos, num sobressalto põe-se de pé, empalidecendo-se rapidamente ao procurar as palavras ali anteriormente registradas. Desesperadamente olha pelo chão, por onde andara há pouco, vasculha os bolsos, põe o violão encostado na cadeira, e vira-se para todos os lados como que procurando entender o que estava acontecendo! Segundo gol anulado: Em meio a tanto zum-zum-zum, o rapaz procura as folhas e, com um olhar de esguelha ainda perseguindo o sinistro carregador da pobre indefesa, pega o violão e volta em direção ao auditório, com a intenção de sentar-se novamente,. Sem perceber, ao acaso, vai postar-se justamente ao lado do outro rapaz com quem a insinuante garota havia trocado discretíssimos olhares. Tomando o violão ao colo, emite baixinho algumas notas,enquanto tenta desvendar o mistério dos papéis desaparecidos, mal percebe que o sujeito ao lado, num sobressalto, após alguns minutos paralisado com a inesperada cena do grandalhão roubando sua parceira, corre atrás afim de socorrer a moça... Balbuciando baixinho algumas palavras cantaroladas, desamassando as folhas nervosamente apertadas entre os dedos, põe-se de pé, empalidecendo-se rapidamente ao perceber a situação inusitada. Na platéia um burburinho se formara pela não continuidade do espetáculo e, pelas caras de espanto e expressões de ansiedade que iam somando-se ao reboliço geral. Alguém tem a idéia de chamar os seguranças que até agora não haviam percebido a razão de suas presenças no recinto e compraziam-se observado as mini-saias do auditório... Esse juíz! Num sei não...!!! PÃNIS IX Durante séculos tenho sido o seu verbo. Tenho sido frágil, meiga, sensível e intuitiva, a fraca, a indecisa, a guardiã do fogão, a mãe e a esposa dedicada, a espiã das vassouras, a donzela em perigo, a magra e pálida, a que não tem espada, a que abaixa-se para pegar a vida que cai, a que ama no silêncio da vela, a que se esconde nas frestas, assim, eu tenho sido a sua linguagem, a sua construção, tenho sido a criatura que você criou e distribuiu. A que margeia sem ânsia declarada, a desidratada da noite escura, a curvada, a madeira permeável, a inefável... a identidade vaga e oca,que vem sido preenchida pelo teu sopro... a massa de modelar. LUIZA DE CASTRO X Mara acordou quando a luz do sol entrou forte pela janela. Olhou ao redor, não reconheceu o ambiente. Estava nua, as roupas espalhadas pelo chão, inclusive a famosa mini-saia. Quando acabou de acordar, sintonizou como que um ronco de motor dentro do quarto. Num canto de sombra, deitado de bruços, o enorme corpo do raptor da noite anterior, também nú. Tentou levantar, mas tinha o corpo dolorido, como se tivesse passado por uma tremenda suruba há poucas horas. Apavorada, catou as roupas espalhadas e vestiu-as em silêncio. A calcinha estava tão estraçalhada que achou melhor deixa-la por ali mesmo. Quando pegou no trinco para abrir a porta, escutou um vozeirão atrás dela: -Onde pensa que vai, mocinha?! KEY IMAGUIRE JR XI Aquele grupo baiano me convidou para dançar na intro de uma canção deles. Esses músicos bolaram de colocar, lá no início, um trecho de música árabe. Sabe qual? Aquela com som de encantar serpentes. Nela meu corpo sempre faz um movimento de serpente mesmo, onde tenho a sensação de que vou me enroscar em algo ou em alguém. Meus fartos cabelos, que chegam até a cintura, acompanham esvoaçantes no movimento de vai e vem. Mergulhada no ritmo, deixo-me levar com o som. A galera delira. E eu estou completamente entregue ao movimento incessante de meu ventre na dança. Foi quando ouvi vindo da turma do gargarejo, na primeira fila da platéia, uma voz forte e máscula de grandalhão de olhos verdes que suplantava todas as outras. Ele gritava feito um demente: "vai rebolar assim lá em casa, benzinho!" Não perdi meu ritmo, ao contrário, dediquei a minha dança sensual àquela enorme criatura. Aproximando-me dele, joguei meu véu em sua direção. O que, no costume arábe quer dizer: "dedico à você esta dança". Mas o tal grandalhão era muito tímido e foi ficando pequenininho de vergonha e voltou a sentar-se no seu lugar. Uma peninha, pois ele era tão simpático! SHAINA XII Sim, denúncias naquela madrugada. Ignácio é um escrivão tarimbado. Acha uma tremenda perda de tempo alguém andar quilômetros só para falar besteiras na delegacia em que ele dá plantão. Tem nego que vem ali até para reclamar que o visinho roubou uma galinha do quintal. Dá vontade de mandar prender. Mas a lei não desampara ninguém, abre seu imenso abraço para todos. É livre vir reclamar do que quer que seja. Porém, sem exageros. A vida pede transformação. Isto o delegado mandou emoldurar e deixou na sala de espera para os reclamantes irem perdendo a descompostura e a casca grossa. Adiantou colocar este aviso futurista? Nunquinha. Em delegacia só vem casca-grossa, desocupado, vadio, bebum e problemático. Isto falando-se dos vivos. Dos mortos só se sabe pelos boletins de ocorrências. Aqueles arquivados e aqueles com o caso em aberto. Nesta madrugada ele estranha um choro de moça nova no corredor e foi ver. Uma moça de mini saia vem prestar queixa de um certo grandalhão que a está perseguindo desde que ela se inscreveu num Festival que está rolando na TV ali perto. Nisto entra Kiko Duarte preocupadíssimo com Mara e ainda escuta ela desabafar para uma corista que Mara trouxe de testemunha: ¿...foi um horror queridinha, até uma calcinha nova tive de comprar...¿ betão XIII Nesse ínterim, ainda meio que perdido com todo aquele tumulto acontecendo ao seu redor, Kiko dá por falta da Mara, aquela das pernocas na mini-saia e sai à sua procura. Um rapaz que estava afinando um dos instrumentos de uma banda, disse que vira quando um homem grandão levava a moça nos braços e a jogara dentro de um furgão preto. Por sorte, uma vez que achou aquilo estranho, ele anotou o número da placa do carro. Kiko Duarte, começou a andar em círculos enquanto pensava o que fazer com aqueles números que o rapaz lhe dera. Num estalo, com um brilho de esperança naqueles seus olhos verdes lembrou-se de Nico, seu antigo amigo de colégio, que ganhava a vida como detetive particular. Relatando o fato ao amigo, este logo conseguiu, com seus contatos na Polícia, descobrir o endereço do dono do carro preto. Dentro do carro todo equipado de Nico, Kiko bastante ansioso não vê a hora de encontrar a Mara Leão. Quando os dois vão chegando ao local que procuravam, Kiko fica surpreso com o que vê quando se aproximam da garagem... NEI LIMA XIV A garagem se abriu. Kiko e Nico entram, apenas para descobrir que estão entrando no que parece ser um porão de um clube de jazz. Eles se esgueiraram por uma escada espiral, e ficaram ocultos na coxia. O ambiente estava enfumaçado e a luz de palco não deixava que vissem a platéia. Kiko sentiu, repentinamente, uma pancada na cabeça, e apagou. Nem viu o amigo cair na seqüência. Uma mulher de ar misterioso, passou pelos dois amigos caídos com um olhar de desprezo e entrou com passos leoninos no palco, iluminada por um spot azul, vestida em brilhos como Rita Hayworth, o cabelo caído até o meio das costas nuas, e atacou um tango de Piazzolla. A banda, transpirando sob os fraques, acompanhou a voz rouca e lamentosa como pôde. Era uma distração, um estratagema para apagar as luzes da platéia, enquanto dois homens, mais semelhantes a gorilas em ternos que quase explodiam na tentativa de cobrir os músculos cuidadosamente cultivados em academia, atravessavam a multidão em busca da porta do palco, carregando os dois amigos desacordados. Uma limusine os esperava ali, com um homem oculto por um cortinado de veludo vermelho. Os gorilas jogaram os dois rapazes dentro do carro e fecharam a porta. O homem jogou água gelada no rosto dos dois e falou, com um forte sotaque francês: - Onde está a minha letra de música? Ainda tonto, Kiko teve presença de espírito suficiente para responder com bravata: - Cadê a Mara? Um minuto depois, a porta abriu-se e a cantora de vestido fatal entrou, sentou-se ao lado do francês, cruzando as longas pernas cobertas de meias negras e sorrindo como o gato de Alice. Diva Artisan por JoãoAntônioBührer às 6:26 AM 6:26 AM
EU NÃO SOU MISÓGINO NÃO Já tem alguns anos que o nome BERILO NEVES ronda pela minha cabeça. Certa feita sentei-me no chão e comecei a ler uma coleção de O MALHO, dos anos 30, e um nome saltou das páginas e começou a pertubar-me: BERILO NEVES. Quem seria este escritor, que tinha uma forte veia satírica?. A revista O MALHO sempre foi um reduto de caricaturistas e humoristas, tanto é que na história da caricatura no Brasil é considerada uma revista de humor. Mas não é bem assim, digamos que era uma revista de assuntos gerais com fortes doses de humor, mais ou menos como o jornal O PASQUIM nos anos 60. Entrei na internet e não consegui saber nada sobre ele, a não ser citações de suas frases contra a mulher. E é verdade, me parece que era um misógino. Vou até postar aqui a capa de um dos livros dele, que achei há pouco tempo, que é A COSTELA DE ADÃO, na oitava edição de 1946. Antes de me alongar ainda mais, esclareço a todos e a TODAS que não comungo com as idéias dele, mas que de qualquer maneira admiro o pensamento ágil e bem humorado dele. A finalidade deste blog é suscitar discussões e não apenas colocar assuntos amenos, sendo assim puxei este nome do BERILO NEVES, pra conturbar mesmo. Uma coisa é certa, o homem era um excelente escritor, e um frasista da maior competência. Tanto é que em qualquer compilação de frases misóginas lá está o BERILO NEVES. Nos anos 30, em O MALHO, a intenção principal dele era sacanear as mulheres. Se tivesse continuado com este humor até os anos 60 teria sido levado às masmorras pelas feministas. Me parece que morreu nos anos 70, vou procurar saber.Geralmente eram frases, fábulas que sempre gozavam a mulher. Nota-se que há uma influencia dele sobre Millôr Fernandes, que nunca foi misógino.Mas no tipo da construção da frase e da idéia.Não foi à toa que nos anos 50 Millôr manteve (me contaram, não sei direito), uma seção humoristica em O Cruzeiro, sob o pseudônimo de ADÃO JR, justamente com o nome de ADÃO E A COSTELA. Sobre esta aventura do Millôr e Adão Jr também voltaremos a falar. Não achei nada na internet sobre BERILO NEVES, alguém sabe os dados pessoais ? A página do Berilo em O Malho era mais ou menos o seguinte. Pegava um foretema e fazia um monte de frases e idéias sobre o assunto, por exemplo no dia 17/12/1936, a página chamou-se A TÉCNICA DO MATRIMONIO. Uma das alfinetadas dele era esta: A Felicidade no casamento, depende 50 % do marido, 40 % da mulher, e 10 % da vizinhança... Outra frase dele na mesma página: Si Si fores com tua mulher à cidade, evita as vitrinas, a vitrine é um lugar onde objectos se expõem , e os maridos também... A misoginia de Berilo chegou ao cumulo de comparar a lua com o sol, numa página cheia de frases neste sentido, que chamou-se O SOL E A LUA. Vejam só o que ele disse: A lua vive da esmola de luz que o sol lhe manda para que não morra de frio...Entretanto, na terra (que também vive de esmolas) há muita gente que acha a lua mais bonita do que o sol. Na vida, também é assim: os vagabundos românticos são mais admirados do que os homens honestos, cansados de trabalhar... Ou Berilo foi mal amado ou simplesmente não curtia as mulheres, vejam outra frase , naturalmente que a lua é a mulher e o sol o homem: Há muita gente por ahi que brilha como a luz da lua: por reflexo...O que eu consegui saber desta figura é que no seu tempo foi considerado um grande humorista, a ponto do magazine inglues PUNCH o ter considerado um dos grandes humoristas das Américas. Mais alguns dados que sei, e que são poucos, mas fazer o quê?Nasceu em Parnaíba, no estado do Piauí, não sei bem a data. Eu calculo que seja mais mais ou menos lá por 1895. Nesta cidade ele dirigiu o semanário católico A BOA SEMENTE. Veio para o Rio de Janeiro em 1924 onde se projetou como escritor e humorista. Colaborou em A CARETA , O MALHO e quase todos as revistas ilustradas da época. Em 1929, como se dizia, veio à lume seu primeiro livro A COSTELA DE ADÃO (cuja capa na oitava edição vêem aqui neste post), a seguir publicou A MULHER E O DIABO, LINGUA DE TRAPO, PAMPAS E COCHILHAS e CIMENTO ARMADO. Foi muito popular , inclusive o comparavam com Humberto de Campos. Também foi professor de literatura no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Há algum tempo li em alguma revista que ele chegou a general na carreira militar.Isto explica o seu desaparecimento das revistas e jornais, nos anos 50,60 e 70 .Neste tempo já não colaborava mais na imprensa,provavelmente por ter se tornado general neste período. No ano de 1967 diziam que suas obras completas iriam ser publicadas, creio que isto não aconteceu pois seus livros hoje são raros , e só se acham mesmo nos sebos. Posso não concordar com ele, mas que as frases e idéias fazem sentido isto fazem, pelo menos para o machismo. Se vivesse hoje teria que rever todas estas frases, o homem e a mulher mudaram muito, graças a Deus. Mas não creio que ele falasse diferente hoje em dia, com tal ódio que tinha pela mulher ... Notem que usei as reticências no aqui justamente para fazer uma citação a ele próprio, que depois de todo seu veneno punha estes três pontinhos. Acho que queria dizer que aquilo era pouco ainda, que a mulher merecia mais. por JoãoAntônioBührer às 6:06 AM 6:06 AM Novembro 14, 2003
DESENTUPINDO MINHA CAIXA POSTAL 362 Posso me gabar de ter praticamente todos os livros do JUAREZ MACHADO, os dele propriamente dito e também aqueles apenas ilustrados por ele. No caso do Juarez mesmo o livro não sendo dele, apenas as ilustrações , o livro acaba tendo a cara dele. É que seu trabalho é conceitualmente interligado com o texto, o que foi mais este caso, do livro POR UMA QUESTÃO DE SAUDADE, da MARINA MARTINEZ. Eu julgava ter todos os livros ilutrados pelo artista, eis que hoje recebo pelo correio, do amigo JOÃO LUPIN (excelente cartunista de João Pessoa), este exemplar que eu nem fazia idéia de sua existencia. Você sabia Nei Lima? O livrinho é muito bem escrito, literatura infantil da muito boa, e ainda por cima ilustrado por ele. Trata-se de um reino em que o Rei bondoso foge, por causa da rainha mandona, e o povo que gostava muito dele fora proibido de sentir saudades do soberano. por JoãoAntônioBührer às 1:01 AM 1:01 AM Novembro 13, 2003
DESENTUPINDO A CAIXA POSTAL 362 Tenho a maior admiração pela obra de NELSON LERNER, muito mais ainda por suas idéias. Não sou grande conhecedor de suas obras, já de suas idéias...Costumo arquivar todas entrevistas que encontro. E a última foi esta da revista E REVISTA, do SESC SÃO PAULO, número 5, ano 10, de novembro de 2003. Acabei de receber meu exemplar, corram lá pro Sesc que tá quente pois é deste mês. É curiosa esta revista, pois ela tem duas capas, a primeira que é bem careta, e se refere a programação cultural do Sesc, e outra mais poética, que faz alusão a entrevista principal, no caso o Nelson Lerner. Vejam esta imagem que vem a ser a quarta capa da revista. Ela não deveria ser a primeira capa? É que esta revista é uma espécie de publicação de cultura mesclada com programação cultural do Sesc, e aí eles tem que maneirar na capa principal. Vou lhes mostrar apenas uma fala do Lerner, bem no final da entrevista, quando lhes perguntam sobre se sua obra tem ou não humor: Agora, o espectador nunca deve confundir a vida do artista com sua obra. Quando alguém vê minha obra, dá a impressão que eu passei a vida toda rindo. O que não é verdade. Acho importantíssimo que isso fique claro. Eu fiz trinta e tantos anos de psicanálise, fui operado do coração duas vezes, eu já passei o diabo. Mas quem olha minha obra diz: ¿ Nossa! Você é alegre, né?¿ Eu não faço as coisas com humor, eu trabalho independentemente do meu humor. Eu posso estar mal humorado e fazer um trabalho que faça você rir. O humor é dos outros. Eu não estou preocupado se o que eu faço é engraçado ou não, eu simplesmente faço. Meu sonho é um dia fazer um fac-simile do jornal REX TIME, do Nelson e seus colegas da Galeria REX, dos anos 60. Alguém tem um exemplar deste jornal pra emprestar um xerox pra mim? Tenho cópias de apenas duas páginas do jornal, mas queria do jornal todo, pra fazer uma reedição fac-similar. É um jornal bem interessante. O Dudi Maia Rosa disse que tem, será mesmo ou foi blefe? É um jornal importante para a história de nossa arte moderna. Mereceria um fac-simile. Não acha Betão? O Grafolalia ainda vai voltar ao assunto. por JoãoAntônioBührer às 8:50 PM 8:50 PM
A revista INTERVALO apareceu nas bancas em janeiro de 1963, a edição número zero, que é esta que vêem neste post, era apenas para mostrar a revistas aos anunciantes.Era distribuída gratuitamente, como brinde. Saía às quintas-feiras. A minha geração cresceu vendo tv, de maneira que esta revista nos acompanhou por toda parte. A geração anterior era a do rádio, e tinham também a sua revista, que era a REVISTA DO RÁDIO. A pauta da Intervalo era bem vasta, da música ao cinema, tv, teatro e o diabo à quatro. Tinha uma outra revista que também comia pelas bordas, mais popular, que era a MELODIAS, bem mais direcionada a música, mas que também dava umas pinceladas na tv. A revista foi até a década de 70, quanto então incorporou ao nome Intervalo o número 2000.Aos poucos o número 2000 foi tomando nome e o intervalo desaparecendo, ficando em letras bem pequeninas. A revista Intervalo estava se transformando em revista de comportamento, em direção ao ano 2000. Até que acabou. Mas cobriu muito bem o show bis brasileiro. Recentemente um dos diretores da Abril, Thomas Souto Correia, numa entrevista disse que a revista toda vida deu prejuízo, que a Abril só a mantinha pra ocupar mercado. Putz, todo mundo naquela época comprava esta revista, comequié que dava prejuízo? por JoãoAntônioBührer às 12:40 AM 12:40 AM
DESENCHENDO A CAIXA POSTAL 362 Pois é, não dou conta de limpar minha caixa postal, todo dia que vou lá tem pacotes mais pacotes. Hoje é do JOSÉ CARLOS PALAIO, que me mandou uma série de capas de discos, de rock e música pop ¿ por aí. Mandou o que seria a boneca de uma revista de cultura americana, para ser distribuída gratuitamente numa cadeia de restaurantes, e chama-se VOICES. Muito interessante a proposta, parece que a criação gráfica é dele. Não sou contra a cultura americana, gosto da salada que eles fazem, o que detesto é qualquer tipo de imposição. Quando é uma proposta critica como essas eu curto. PALAIO, fiel escudeiro do Grafolalia, mandou também um catálogo de uma exposição sua, de 1993, no ESPAÇO QUALITÁ.Alem de artista gráfico é artista plástico, no fundo as duas são a mesma coisa não é? O nome da exposição é simplesmente PALAIO. Poderia ter se chamado BALAIO, pois a cultura deste nosso amigo é mesmo um balaio de gatos, como qualquer grande obra de arte. Neste catálogo ele próprio arrolou uma série de definições para o que é arte. Palaio é um colecionador de definições. Vejam duas delas que ele registrou no seu catálogo. NÃO PINTO AS COISAS, PINTO A DIFERANÇA ENTRE AS COISAS. (HENRI MATISSE) A ARTE É UMA MENTIRA QUE NOS REVELA A VERDADE. (PICASSO) Registro o recebimento de um catálogo de dez anos atrás, portanto não adianta irem ver a exposição.Ela não mais existe, permanece apenas no catálogo. Daí a importância de um catálogo não é? E Palaio trabalha entre outras na confecção de catálogos de exposições. A imagem que vêem ilustrando este post é do citado catálogo. Belíssima arte. Olha Palaio, eu gosto muito da definição de Millôr para arte: ARTE É INTRIGA. por JoãoAntônioBührer às 12:32 AM 12:32 AM Novembro 12, 2003 ![]() por JoãoAntônioBührer às 2:49 AM 2:49 AM ![]() por JoãoAntônioBührer às 2:48 AM 2:48 AM
A correspondência que recebo é tão bacana e importante que acho injusto que fique restrita ao recôndito de meu lar. Claro que há coisas que não são blogáveis, aí o recurso é apenas citar in passant. Mas vamos ao que recebi esta semana do arquiteto curitibano Key . Num pacote que ele denomina de feirino, por ser enviado toda semana, eis o que veio no último pacote. CAUSOS E FACÉCIAS. Uma plaquetes em que o escritor e arquiteto Key narra causos e acontecidos com a pessoa dele. Neste livreto de 18 páginas ele enfeixa historinhas nem sempre a seu favor. Vou reproduzir aqui o prefácio dele, pra que possam entender melhor: Acho que todos têm esse tipo de acontecência na vida , causos a serem contados quando a conversa comporta. Com certeza, não serão situações "em que fomos vis" , segundo o Fernando Pessoa ¿ apenas levemente sonsos, e de uma maneira engraçada. Ou então, ao contrário, tivemos uma reação ou resposta tão rápida que nos surpreendeu a nós mesmos, de normal sonsos. Estou absolutamente certo de que há uma tradição brasileira de causos , originária das rodas de chimarrão e transporta para as mesas dos botecos urbanos. Que outro povo conta causo!? Difere do conto tradicional por ter uma estrutura totalmente coloquial, que evidentemente se perde ao ser escrito. E também não é a mesma coisa, embora possa ser confundido- com "lenda urbana" . O causo é pessoal, "só poderia ter acontecido comigo" - enquanto que a característica essencial da lenda urbana é que a mesma situação proceder de várias fontes. Aí vão alguns dos meus muitos causos... Aqui eu lhes mostro um dos causos que o Key escreveu neste livreto. 15- CAUSO COM MARGEM A DESAGRADÁVEL EQUÍVOCO Depois que alugamos a casa da Solimões para o Martin, o passeio vespertino da Yma é o contorno de algumas quadras do bairro, passando por outros cães e gatos conhecidos. Uma tarde , estávamos passando pela casa do Cleomar, que estava sentado no jardim tirando ervas daninhas do gramado. Junto dele, o gato deles , por nome Neguinho- aguardava a hora de ser recolhido. Conversamos com os dois, e fomos saindo , me despedi do Cleomar e quando estava mais longe , lembrei de despedir do gato: -Tchau , Neguinho! Pegou mal com algumas pessoas que iam passando na rua, não viam o gato mas sim o Cleomar. Mais algumas coisas que vieram no pacote FEIRINO do Key. PANFLETO DA MODERNA FRAME. No estilo de impresso feito em tipografia. Nos tempos digitais de hoje não deixam der interessantes, até pela oposição. A CLEÓPATRA DO JAZZ, biografia da extraordinária JOSEPHINE BAKER, escrita por Phyllis Rose, da Editora Rocco. Revista SHIMMY de 1926, com ilustração de Renato Silva, que vai ser postado daqui a um ou dois posts.Aguardem.É a avó da Playboy. JORNAIS DE CURITIBA, preu ficar sabendo da efervescência cultural da Cidade das Araucárias. TIRAS PRODUZIDAS PELO KEY E CORTIANO, para jornais de Curitiba, na década de 70, bem na linha intersemiótica então em voga. Também serão postadas aqui neste espaço. FIGURZINE, publicação em cores, no formato de sulfite A-3, publicado pelo Key, de vez em quando. É o número 4, este só com estampas de tecidos, impressos em catálogo de tecidos do século XIX e XX. Vejam aqui a reprodução dele em tres partes., pois não cabe no escanner. Ufa! Não é mole dar conta da correspondência. Pois é, os historiadores do futuro, alem do papel terão aqui neste blog o registro de minha correspondência. Claro que as fofocas e os papos pessoais never more. Terão que esperar 50 anos depois de minha morte para abrirem a correspondência. Que está lacrada , num baú de ossos.Que venha o próximo. por JoãoAntônioBührer às 2:42 AM 2:42 AM Novembro 11, 2003
EM BUSCA DOS MUROS PERDIDOS A minha infãncia era isto aí. Vivia trepados nos muros, como se fosse um gato. Quando não era muro era árvore. Acho que toda criança tem vontade de ser de circo, e aí fica inventando estas histórias pra parecer com artista de circo. Quanto a esta alpercata(era assim que a gente chamava este calçado), eu nunca usei. Achava desconfotável, nunca sequer experimentei calçar um treco desses.Mas era muito comum naquele tempo. Ou era isto ou os congas, ou então os Keds. por JoãoAntônioBührer às 2:46 AM 2:46 AM
Uma das vantagens de se ter blog é que nele a gente pode registrar tudo que nos acontece, entre eles o registro de correspondência.Pode ser muito rápido e cômodo se comunicar pela internet, mas também é muito legal receber pelo correio o velho e saboroso envelope de papel. Hoje recebi um belo e fornido envelopaço, da HELÕ, do blog BANANA. Olhem só o que veio. Inúmeros folders, panfletos, flyers, postais, volantes, catálogos, tudo sobre a cidade de Juiz de Fora. Há catálogos sobre o museu ferroviário local, postais sobre a cidade de Juiz de Fora e folders sobre restaurantes de comida mineira. Enfim um belo roteiro para se conhecer as delicias das Minas Gerais. Ela também me mandou de quebra uma revista pulp de Portugal, editada no longínquo ano de 1911: UM CRIME TENEBROSO, de autoria de Arnould Galopin. Meio no estilo desta historinha que este blog publica sobre o caso do Mistério no Festival. É uma publicação fantástica, eu eu reproduzo aqui alem da capa apenas o comecinho da história, pra deixá-los com álgua na boca. Como consegui descobrir o TENEBROSO CASO DE GREEN PARK? È muito simples. Quero dizer, muito simples de narrar. Como todo inglez de raça, sou methodico, porque julgo que com methodo se chega a uma precisão de memória extraordinária. E é preciso memoria para exercer a arte tão complexa de policia, que dizer policia amador. Em primeiro lugar, sou gentleman, filho de gentleman. Meu pae, Arthur Edgar Dickkson era um dos fazendeiros mais conhecidos e considerados do Oeste australiano. O policia profissional não é nunca um gentleman e é sempre um mau funccionario, porque lhe falta precisamente o que constitue a nossa força: o methodo. por JoãoAntônioBührer às 12:22 AM 12:22 AM Novembro 8, 2003
O nosso coleguinha NEI LIMA, pertencente ao MSB (Movimento dos Sem blogs), me mandou esta colaboração. Sobre Klint e Egons Schiele. Eu fico mais com o EGON SCHIELE, que acho um tremendo pintor: Caro amigo Jão! Penso que você já deva conhecer este artista badaladérrimo, que é o Klimt. Mas mesmo assim vou enviando esta informação procê. Gustav Klimt nasceu em 14 de julho de 1862, em Baumgarten, perto de Viena. É o segundo de sete filhos de Anne Finster e Ernst, cinzelador de metais preciosos. Em 06 de fevereiro, Klimt morre de apoplexia. Inúmeras telas ficaram inacabadas. Coincidentemente no mesmo ano em que morreu Egon Schiele, seu seguidor. Um abração! por JoãoAntônioBührer às 11:09 PM 11:09 PM
TESTES DO GRAFOLALIA De vez em quando eu quero postar alguma coisa aqui sem ter muito o que dizer, o que é o caso deste belo livro do RIMBAUD, traduzido aqui para nosso vernáculo por LEDO IVO, e lançado em 1957 pela Civilização Brasileira. O teste é o seguinte: quem é o autor da capa? Quem descobrir terá direito a um livro, escolhido por mim, que receberá em casa, no conforto do seu lar.Este belo livro enfeixa num mesmo volume duas obras do poeta RIMBAUD: ILUMINAÇÕES e UMA TEMPORADA NO INFERNO. Alem de traduzir o poeta Ledo Ivo fez uma bela apresentação do poeta e sua obra. Vou lhes mostrar alguns versos contidos no poema FOME, de UMA TEMPORADA NO INFERNO: FOME Só me agrada almoçar Comendo pedra e chão. Apetecem-me o ar, Rocha, ferro, carvão. Votai, minhas fomes. Pastai No prado dos sons. Atraí o alegre Veneno das campânulas. Comei os seixos quebradiços, As velhas pedras das ermidas; Os calhaus dos velhos dilúvios, Pães vindos dos vales escuros. por JoãoAntônioBührer às 10:55 PM 10:55 PM (continuação do post anterior) IX Durante séculos tenho sido o seu verbo. Tenho sido frágil, meiga, sensível e intuitiva, a fraca, a indecisa, a guardiã do fogão, a mãe e a esposa dedicada, a espiã das vassouras, a donzela em perigo, a magra e pálida, a que não tem espada, a que abaixa-se para pegar a vida que cai, a que ama no silêncio da vela, a que se esconde nas frestas, assim, eu tenho sido a sua linguagem, a sua construção, tenho sido a criatura que você criou e distribuiu. A que margeia sem ânsia declarada, a desidratada da noite escura, a curvada, a madeira permeável, a inefável... a identidade vaga e oca,que vem sido preenchida pelo teu sopro... a massa de modelar. LUIZA DE CASTRO X Mara acordou quando a luz do sol entrou forte pela janela. Olhou ao redor, não reconheceu o ambiente. Estava nua, as roupas espalhadas pelo chão, inclusive a famosa mini-saia. Quando acabou de acordar, sintonizou como que um ronco de motor dentro do quarto. Num canto de sombra, deitado de bruços, o enorme corpo do raptor da noite anterior, também nú. Tentou levantar, mas tinha o corpo dolorido, como se tivesse passado por uma tremenda suruba há poucas horas. Apavorada, catou as roupas espalhadas e vestiu-as em silêncio. A calcinha estava tão estraçalhada que achou melhor deixa-la por ali mesmo. Quando pegou no trinco para abrir a porta, escutou um vozeirão atrás dela: -Onde pensa que vai, mocinha?! KEY IMAGUIRE JR XI Aquele grupo baiano me convidou para dançar na intro de uma canção deles. Esses músicos bolaram de colocar, lá no início, um trecho de música árabe. Sabe qual? Aquela com som de encantar serpentes. Nela meu corpo sempre faz um movimento de serpente mesmo, onde tenho a sensação de que vou me enroscar em algo ou em alguém. Meus fartos cabelos, que chegam até a cintura, acompanham esvoaçantes no movimento de vai e vem. Mergulhada no ritmo, deixo-me levar com o som. A galera delira. E eu estou completamente entregue ao movimento incessante de meu ventre na dança. Foi quando ouvi vindo da turma do gargarejo, na primeira fila da platéia, uma voz forte e máscula de grandalhão de olhos verdes que suplantava todas as outras. Ele gritava feito um demente: "vai rebolar assim lá em casa, benzinho!" Não perdi meu ritmo, ao contrário, dediquei a minha dança sensual àquela enorme criatura. Aproximando-me dele, joguei meu véu em sua direção. O que, no costume arábe quer dizer: "dedico à você esta dança". Mas o tal grandalhão era muito tímido e foi ficando pequenininho de vergonha e voltou a sentar-se no seu lugar. Uma peninha, pois ele era tão simpático! SHAINA XII Se eles querem um lamento, vou mandar um lamento inesquecível". Falou o Compositor, "Se pensam que eu vou entregar um hit-parade intelectual só para azeitar as massas, estão enganados". Logo continuou: "Porra, eu sei falar com a alma desses infelizes. Sei falar com o espírito deles". Depois faz uma pausa para emendar isto: "Por espírito eu entendo o todo, a totalidade..." Como percebesse a incredulidade de todos à mesa, continuou: "...sim, tanto os oprimidos como os opressores merecem serem lamentados. Isto tudo é uma tremenda barca que não vai a lugar nenhum". Os amigos na mesa estavam estranhando o papo do Compositor, imaginem só se um dos maiores intelectuais brasileiros, viesse a entrar em parafuso. Justo agora às vésperas do Festival. Porém o Compositor mantém o tom do discurso: "Não volto atrás não. Minha música será apenas um longo choro e ranger de dentes. Um quarup. Sim, um quarup!". Por exotismo ou primitivismo que seja, os músicos em torno desta mesa de bar, começavam a entender a proposta do Compositor. E, duas semanas depois, na apresentação da música Equilíbrio Precário Mesmo Não Sendo (este o título dela), o que se ouviu foi instrumentos enlouquecidos numa performance dodecafônica. Enquanto vinha em paralelo um côro de quatro carpideiras profissionais. Estas gemiam, gritavam e choravam, traquejadas que eram em lamentar a morte alheia. Aquilo se estendeu por três longos minutos. Uma balbúrdia com quatro vozes expressando uma dor que era a maior que já haviam sentido. Motivação não faltava. Elas carpiam agora por uma imensa nação, uma nação inteira, completamente morta! BETÃO por JoãoAntônioBührer às 5:51 PM 5:51 PM Novembro 6, 2003 Sexta-feira, Outubro 17, 2003 Este blog está publicando a partir de agora uma história de suspense(?), chamada MISTÉRIO NO FESTIVAL, só pra lembrar das outras experiências que já se fizeram. Está sendo escrita a muitas mãos, quantas puderem e quizerem.É só entrar neste post, no comentário., e entrar na brincadeira. Os capitulinhos serão pequeninos, de nó máximo 14 linhas, conforme o NEI LIMA definiu. MISTÉRIO NO FESTIVAL I Era chegado o grande dia: todos os cantores estavam ensaiando suas músicas e um tímido rapaz de intensos olhos verdes estava sentado a um canto escrevendo em algumas folhas de papel sobre o tampo do violão. Um sujeito de óculos escuros com um casaco preto, mostra-se impaciente, enquanto acendia um cigarro sem filtro, andando pra lá e pra cá no meio do pessoal da produção do Festival de Música que mais tarde se iniciaria. Era uma pessoa corpulenta, que se mostrava ansiosa para saber o que aquele jovem rapaz de olhos verdes estava a escrever. Fez de tudo para aproximar-se, mas não conseguia ser tão discreto com todo aquele corpanzil NEI LIMA II O rapaz do violão percebeu-o mas não se deu por achado; displicentemente dobrou as folhas e colocou no bolso. O grandalhão não se afastou, o que reforçou a idéia de alguém com as costas quentes. Do outro lado da sala, a cantora de mini-saia, sentada num banquinho, deu uma cruzada de pernas e sorriu para ele. Que agarrou a chance no ar, levantou e foi puxar papo com ela. Aí sim, o sujeito sinistro pareceu se arreliar, jogou o cigarro no chão e saiu sem olhar para trás. Ao chegar perto dela, o rapaz do violão percebeu que fora intecionalmente atraído para longe do tipo suspeito, que ela via afastar-se com grande ansiedade. KEY IMAGUIRE JR III Mas o sorriso juvenil da moça, a pele delicada e lisa que tanto se adivinhava sob a minúscula saia, o decote ousado que mal podia com os seios rebeldes, tudo aquilo fez com que ele esquecesse a prudência e se deixasse levar pelo encanto da garota. Nem percebeu quando ela trocou olhares com um rapaz que ocupava uma das cadeiras da primeira fila do auditório. Em pouco tempo iria começar o show e aquela mulher era como uma sereia ensaiando o seu canto diabólico. Ela sorriu novamente e pediu-lhe que mostrasse a letra da música que mantinha ainda entre os dedos. Ele estendeu-lhe os papéis manuscritos e amarfanhados. Um flash de câmera fotográfica estourou em seus olhos e ele nem se apercebeu quando as folhas lhes foram devolvidas - já não eram mais as mesmas. Ela trocara os papéis. E em breve, por causa disso, muita coisa iria acontecer, coisas que ele jamais ousou imaginar. HERINGER IV De repente um barulho intenso e ensurdecedor como que de um mau contato em uma das caixas de som faz com que todos levem as mãos aos ouvidos. Em seguida é anunciado que dali a apenas cinco minutos iria começar o festival de música. Nervoso, o nosso herói olha para o lado e percebe que a moça já não está mais. Como que desdenhando, pensa" Ok, mulheres bonitas existem em todos os lugares". E essa era um tanto quanto vulgar. Olha para as suas anotações e só então percebe que não eram as mesmas." Foi ela. Mas por quê? Pra quê?'' Pensa ele. Ainda estava nas coxias sem saber o que fazer, quando deu início o festival. A primeira candidata era... a tal moça! Proferiu alto um "ah, sua vaca!", que fez com que um contra-regra olhasse pra ele. Que teve que se segurar pra não invadir o palco. ANNA FORTUNA V No palco, a bela moça se preparava para iniciar sua canção, procurando algo que guardava na cintura. Era o papel! Ele quase pulou no palco para pegá-lo quando viu nos olhos da moça uma expressão de pânico. Ele não entendeu direito o que estava acontecendo com ela, que procurava insistentemente algo, olhando para os lados, para a platéia, para os músicos, quando enfim, lança um olhar aliviado para ele e corre em sua direção com um enorme sorriso: - Desculpe, acho que trocamos nossas letras, você ainda está com a minha, não está? Ele sorriu e com as mãos foi em busca do papel que pertencia a moça. Sem encontrá-lo, ele foi ficando cada vez mais constrangido e deixando a moça cada vez mais desesperada: - Ele estava por aqui, eu juro que o guardei! Dizia desesperadamente.... VICK FURACÃO VI Nisto a orquestra que vinha dando os acordes iniciais, assim tipo final de ensaio,parou! A plateia ecoou um Oh...e os atarantados personagens no palco nem se deram conta que um vulto imenso ,não discernivel plenamente, avançou e colocou a cantora nos ombros saindo em desabalada carreira palco afora. A plateia aplaudiu achando provavelmente que aquilo era uma forma nova de performance, e deixou o Kiko, o de olhos verdes perplexo. E agora? EDMUNDO VII "NO AR". O do violão ficou olhando aquela luz indicando que não poderia passar por aquela porta em direção ao palco. Escuta o som abafado do cantor, da orquestra e dos apupos da audiência que superavam, as vezes, a própria música. Enquanto o meninão acaricia seu violão, olha o sinal de "NO AR", e presta atenção em dois caras estranhos que estão por ali para entrarem no palco também. O músico intui que o cantor da vez está complicado com os Vigilantes. Aqueles dois não enganam ele não, são canas-duras que estão afim de grampear o cantor. Quando o "NO AR" apagar, ele vai poder entrar com seu violão. Mas aqueles caras vão entrar junto com ele. "NO AR" está aceso. "NO AR" está aceso. "NO AR" está aceso. "NO AR"... BETÃO VIII Primeiro gol anulado: Em meio a tanto zum-zum-zum, o rapaz pega as folhas e, com um olhar de esguelha ainda perseguindo o sinistro, pega o violão e com um sorriso quase orgulhoso, volta com a intenção de sentar-se novamente, em direção ao auditório. Sem perceber, ao acaso, vai postar-se justamente ao lado do outro rapaz com quem a insinuante garota havia trocado discretíssimos olhares. Tomando o violão ao colo, dedilhando baixinho algumas notas, mal percebe que ao longe o sujeito grandalhão disfarçadamente, por detrás de uma torre de iluminação ascendia outro cigarro e, de soslaio esticava ainda olhares sorrateiros... Balbuciando baixinho algumas palavras cantaroladas, desamassando as folhas nervosamente apertadas entre os dedos, num sobressalto põe-se de pé, empalidecendo-se rapidamente ao procurar as palavras ali anteriormente registradas. Desesperadamente olha pelo chão, por onde andara há pouco, vasculha os bolsos, põe o violão encostado na cadeira, e vira-se para todos os lados como que procurando entender o que estava acontecendo! Segundo gol anulado: Em meio a tanto zum-zum-zum, o rapaz procura as folhas e, com um olhar de esguelha ainda perseguindo o sinistro carregador da pobre indefesa, pega o violão e volta em direção ao auditório, com a intenção de sentar-se novamente,. Sem perceber, ao acaso, vai postar-se justamente ao lado do outro rapaz com quem a insinuante garota havia trocado discretíssimos olhares. Tomando o violão ao colo, emite baixinho algumas notas,enquanto tenta desvendar o mistério dos papéis desaparecidos, mal percebe que o sujeito ao lado, num sobressalto, após alguns minutos paralisado com a inesperada cena do grandalhão roubando sua parceira, corre atrás afim de socorrer a moça... Balbuciando baixinho algumas palavras cantaroladas, desamassando as folhas nervosamente apertadas entre os dedos, põe-se de pé, empalidecendo-se rapidamente ao perceber a situação inusitada. Na platéia um burburinho se formara pela não continuidade do espetáculo e, pelas caras de espanto e expressões de ansiedade que iam somando-se ao reboliço geral. Alguém tem a idéia de chamar os seguranças que até agora não haviam percebido a razão de suas presenças no recinto e compraziam-se observado as mini-saias do auditório... Esse juíz! Num sei não...!!! PÃNIS por JoãoAntônioBührer às 12:50 AM 12:50 AM
Fui a fonte, explico melhor, dei com um exemplar de MEMÓRIAS DE MADAME SATã, e mergulhei fundo na história do famoso marginal do Rio, que era um misto de malandro com boêmio. Recentemente filmaram a história dele, não sei se foi baseado no livro, estou para ver e quando isto acontecer volto ao assunto. No começo dos anos 70 o MADAME SATÃ já estava aposentado, estava com mais de 70 anos. Deu uma entrevista bombástica ao PASQUIM, e assim ficou amigo de toda a galera do jornal. O que aconteceu é que voltou-se a falar no malandro. Antigamente era noticia de jornal por causa de suas confusões, brigas e prisões, agora aparecia no jornal mais descolado do Brasil. O motivo era fazer história, já que o jornal era editado por jornalistas e humoristas. A repercussão da entrevista foi grande. Tanto é que logo em seguida ele publicou suas memórias, que chamou-se justamente MEMÓRIAS DE MADAME SATÃ. A capa que podem ver aqui é da primeira edição, e tem arte do Ziraldo. Saiu pela editora LIDADOR, no ano de 1972. O livro foi feito mais ou menos no mesmo esquema do QUARTO DE DESPEJO, só que no caso daquele era um diário que foi editado pelo jornalista Audálio Dantas.Neste caso do Satã foi um depoimento dado ao também jornalista SILVAN PAEZZO. Do ponto de vista jornalístico o livro é fantástico, nos prende da primeira e a última página, Silvan conseguiu absorver toda a riqueza a a miséria que foi a vida do Madame Satã. Por este livro dá pra se entender como funcionava o submundo, a policia e a sociedade. O livro dá uma série de filmes, inclusive acho que dá um que a gente poderia logo associar a Carandiru. Só que as prisões dele foram na Ilha Grande, e foram dezenas. Foi basicamente um malandro do bairro boêmio da Lapa, no Rio de Janeiro. Muito interessante ouvir a versão do Satã para as misérias que lhe ocorreram, ele se julgava um sujeito perseguido: negro, pobre e gay. Vejamos aqui o episódio em que narra no seu linguajar, tão característico, quando obteve o apelido de Madame Satã. O engraçado é que ele nunca falava EU, sempre fala assim A MINHA PESSOA . Então passamos a conversar sobre assuntos vários. Ele me perguntou se nós sabíamos do paradeiro de alguns malandros procurados pela polícia e ninguém entregou ninguém.Aí ele quis saber qual eram os nossos apelidos de bichas. -Eu me chamo Capivara. -Me chamam de Nega Loma -Deliciosa. -Iaiá. Chegou na minha vez de dizer o meu apelido de bicha eu fiquei quieto diante do homem. -E o seu? Era comigo. -Não tenho não senhor. Como ele era novo nesse distrito ele não sabia que eu era o Carangueijo da Praia das Virtudes e eu é que não ia dizer. E também não era esse o apelido que eu queria ouvir porque Carangueijo da Praia das Virtudes era apelido de malandro e valente. Apelido de boneca era outra coisa. -Acho que estou te reconhecendo. Bonito.Já gelei e pensei comigo mesmo que ia tirar uns dias de xadrez. -Não foi você que se fantasiou de Madame Satã e ganhou o desfile das bichas no República esse ano? O filme Madame Satã estava passando no Rio e fazia um sucesso desgraçado.Eu não tinha visto e acabei não vendo nunca. -O doutor me desculpe mas a minha fantasia era de morcego. -Que morcego nada. Vai me dizer que você entende mais de fantasia que os americanos?Aquilo era fantasia de Madame Satã. Foi o que bastou. Male ele mandou a gente ir embora e as bichas minhas amigas saíram espalhando pra todo mundo que eu tinha sido batizado Madame Satã. (...) por JoãoAntônioBührer às 12:33 AM 12:33 AM
E lá vem um espírito de porco falar mal do cinema brasileiro, vocês podem pensar, e com razão. Afinal nosso combalido cinema vive de ciclos, e nos últimos tempos a maré estava bem baixa não é. O que vou analisar é o filme em si, não o cinema brasileiro. Depois de muito ler nos jornais e revistas, sempre favoráveis, fui ver o documentário PAULINHO DA VIOLA: MEU TEMPO É HOJE. O filme é dirigido por IZABEL JAGUARIBE e idealizado em parceria com ZUENIR VENTURA. Já é o segundo trabalho da dupla, antes foi com o documentário UM DIA QUALQUER, exibido na tv. Inclusive os blogs co-irmãos falaram muito bem do filme, entusiasmados mesmo. O filme não é ruim, o problema é que não se decide, se queria ser um musical ou um documentário. O Paulinho cantou na integra dezenas de canções, parecia que era um especialzão de tv, destes de finais de ano. Muito bem filmado, em linguagem cinematográfica, ele começa a falar da vida do Paulinho, do seu cotidiano, quando de repente para tudo e entra uma espécie de clip, onde o Paulinho canta mais uma de suas canções. Ora, eles deviam então de batizar o filme de musical e não documentário. Sem falar que puseram a Marina, pra cantar com ele, o que absolutamente nada tem a ver. Pessoas importantes na carreira do Paulinho, como Hermínio Bello de Carvalho, também não apareceram. Nem se falou em SEI LÁ MANGUEIRA, uma das músicas mais bonitas de nosso cancioneiro. Claro que o filme atinge momentos poéticos, e isto ocorre justamente quando ele não está cantando. Não tenho nada contra o Paulinho cantando, mas é que interrompe-se uma história que está sendo contada pra que o Paulinho mostre outra de suas músicas. Ora bolas, fui lá não pra ouvir músicas do Paulinho, mas sim pra conhecer o Paulinho. Só um exemplo, o filme lota uma perua e vai a família e toda a turma do Paulinho visitar o Zeca Pagodinho, lá em Xerén. A câmera filma a chegada e depois eles sentando em volta de uma mesa. E todo mundo canta duas ou três músicas. Ora, documentou-se o quê? Sambistas do Rio cantando mais uma música do Paulinho? O filme é bem intencionado, tem achados fantásticos, e que foram poucos explorados, como a relação de Paulinho com sua mulher. Ele totalmente fora do mundo, e ela mais pé no chão. A diretora percebeu isto mas pouco explorou, quando engatava um assunto para que a gente pudesse entender a personalidade do músico ela logo tirava nossa atenção com mais um número musical, na integra. Como se fosse um programa de tv mesmo. Fico pensando aqui comigo, será que nosso cinema está querendo conquistar os canais de tv, talvez um namoro inconsciente do cinema com a tv?. Mas eu saí de casa pra ver cinema e não tv, se assim fosse ficaria em casa no meu sofá. Não teria ido à pé pro centro de Campinas, lá no Cine Paradiso. O que salva o filme, pensando em termos de documentário, e não de musical, são justamente os momentos em que a câmera registra as ruas do Rio, a quadra da Portela, a casa do Paulinho, o sebo em que ele freqüenta, a loja em que compra peças pra relógio, sua garagem onde guarda seus carros antigos, que estão pra serem restaurados.... Enfim, é o cotidiano dele que me interessa, mesmo porque Paulinho quando fala não se mostra, suas frases não se completam. Pois se ele não se entrega o ideal seria vasculhar mais seu cotidiano, e isto não ocorreu.Não por deficiência da diretora, pois ela sabia o caminho das pedras, mas porque ela se decidiu por um musical de tv. Assim tornou o filme muito chato. por JoãoAntônioBührer às 12:20 AM 12:20 AM Novembro 5, 2003 Não sei quantas coleções eu já comecei nesta vida, algumas estão em andamento, outras esquecidas. E esta de desenhos de manuais, de mulheres, eu comecei por influencia de um amigo meu, que os mandava pra mim de longe. E aí peguei gosto pela coisa. E ela estava meio adormecida, quando o Guto me lembrou dela, a despeito de uma exposição que está fazendo em Sampa. No post anterior viram um da Trifil e agora um de modess. Mas tem mais. ![]() por JoãoAntônioBührer às 2:57 AM 2:57 AM
Depois de saber que o GUTO LACAZ está fazendo uma exposição reunindo os desenhos de manuais eu fui me lembrar que também sou aficcionado. Só que a minha coleção é direcionada àqueles desenhos de embalagens que meias, modess, etc. E são desenhos mais interessantes que os outros, os desenhistas capricham mais. por JoãoAntônioBührer às 2:28 AM 2:28 AM Novembro 4, 2003 Sexta-feira, Outubro 17, 2003 Este blog está publicando a partir de agora uma história de suspense(?), chamada MISTÉRIO NO FESTIVAL, só pra lembrar das outras experiências que já se fizeram. Está sendo escrita a muitas mãos, quantas puderem e quizerem.É só entrar neste post, no comentário., e entrar na brincadeira. Os capitulinhos serão pequeninos, de nó máximo 14 linhas, conforme o NEI LIMA definiu. MISTÉRIO NO FESTIVAL I Era chegado o grande dia: todos os cantores estavam ensaiando suas músicas e um tímido rapaz de intensos olhos verdes estava sentado a um canto escrevendo em algumas folhas de papel sobre o tampo do violão. Um sujeito de óculos escuros com um casaco preto, mostra-se impaciente, enquanto acendia um cigarro sem filtro, andando pra lá e pra cá no meio do pessoal da produção do Festival de Música que mais tarde se iniciaria. Era uma pessoa corpulenta, que se mostrava ansiosa para saber o que aquele jovem rapaz de olhos verdes estava a escrever. Fez de tudo para aproximar-se, mas não conseguia ser tão discreto com todo aquele corpanzil NEI LIMA II O rapaz do violão percebeu-o mas não se deu por achado; displicentemente dobrou as folhas e colocou no bolso. O grandalhão não se afastou, o que reforçou a idéia de alguém com as costas quentes. Do outro lado da sala, a cantora de mini-saia, sentada num banquinho, deu uma cruzada de pernas e sorriu para ele. Que agarrou a chance no ar, levantou e foi puxar papo com ela. Aí sim, o sujeito sinistro pareceu se arreliar, jogou o cigarro no chão e saiu sem olhar para trás. Ao chegar perto dela, o rapaz do violão percebeu que fora intecionalmente atraído para longe do tipo suspeito, que ela via afastar-se com grande ansiedade. KEY IMAGUIRE JR III Mas o sorriso juvenil da moça, a pele delicada e lisa que tanto se adivinhava sob a minúscula saia, o decote ousado que mal podia com os seios rebeldes, tudo aquilo fez com que ele esquecesse a prudência e se deixasse levar pelo encanto da garota. Nem percebeu quando ela trocou olhares com um rapaz que ocupava uma das cadeiras da primeira fila do auditório. Em pouco tempo iria começar o show e aquela mulher era como uma sereia ensaiando o seu canto diabólico. Ela sorriu novamente e pediu-lhe que mostrasse a letra da música que mantinha ainda entre os dedos. Ele estendeu-lhe os papéis manuscritos e amarfanhados. Um flash de câmera fotográfica estourou em seus olhos e ele nem se apercebeu quando as folhas lhes foram devolvidas - já não eram mais as mesmas. Ela trocara os papéis. E em breve, por causa disso, muita coisa iria acontecer, coisas que ele jamais ousou imaginar. HERINGER IV De repente um barulho intenso e ensurdecedor como que de um mau contato em uma das caixas de som faz com que todos levem as mãos aos ouvidos. Em seguida é anunciado que dali a apenas cinco minutos iria começar o festival de música. Nervoso, o nosso herói olha para o lado e percebe que a moça já não está mais. Como que desdenhando, pensa" Ok, mulheres bonitas existem em todos os lugares". E essa era um tanto quanto vulgar. Olha para as suas anotações e só então percebe que não eram as mesmas." Foi ela. Mas por quê? Pra quê?'' Pensa ele. Ainda estava nas coxias sem saber o que fazer, quando deu início o festival. A primeira candidata era... a tal moça! Proferiu alto um "ah, sua vaca!", que fez com que um contra-regra olhasse pra ele. Que teve que se segurar pra não invadir o palco. ANNA FORTUNA V No palco, a bela moça se preparava para iniciar sua canção, procurando algo que guardava na cintura. Era o papel! Ele quase pulou no palco para pegá-lo quando viu nos olhos da moça uma expressão de pânico. Ele não entendeu direito o que estava acontecendo com ela, que | ||