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Rossana Fischer
  Dezembro 23, 2003


Como voces o belissimo ensaio do Helio Pelegrino sobre mãe, que abre o livro do Ziraldo The Supermãe.
por JoãoAntônioBührer às 1:38 AM 1:38 AM





Ah ! Como são bonitos os livros do JORGE AMADO na época em que publicava na Martins Fontes. Estão milhares de anos à frente da Record, que detem o passe dele atualmente. Peguemos por exemplo o TEREZA BATISTA CANSADA DE GUERRA, de 1972, que é a edição que tenho aqui nas mãos. Saiu inicialmente com 100 mil exemplares na primeira edição, será que o Paulo Coelho lança hoje um livro com uma tiragem destas? Pra verem que o Jorge não era pra brincadeira naquela época. O cuidado da Martins era um negócio muito sério. A capa era do Carybé, uma apresentação de uma modinha pelo Dorival Caymi, ilustrações em forma de cordel de Calasans Neto e retrato do autor por Carlos Bastos. E uma apresentação da Zélia. Vamos a MODINHA DE DORIVAL CAYMMI PARA TEREZA BATISTA:

Me chamo siá Tereza
Perfumada de alecrim
Ponha açúcar na boca
Se quiser falar de mim

Flor no cabelo
Flor no xibiu
Mar e rio

por JoãoAntônioBührer às 1:04 AM 1:04 AM





Pronto, lá vem o GRAFOLALIA na contra-corrente, falando mau do Papai-Noel justamente nesta época. Sou daquelas pessoas que acham a figura esquisita deste personagem importado muito chata. Não tenho nada contra o espírito , evidentemente, pois a fraternidade é um fato e não um símbolo. Tenho tudo contra um determinado estimulo comercial que esta figura traz em seu bojo, digo saco. Na década de 80 do século que passou, lembro que o publicitário Carlito Maia tentou vender a idéia da gente trocar este símbolo do Papai Noel pela imagem do CARLITOS, do cinema. Achava que simbolizava muito mais esta idéia de paz , amor e fraternidade. Outro dia eu peguei uma revista antiga e soube que lá pelos anos 30, ou 40, não sei bem , o caricaturista OCTA tentou implantar a figura de um velho índio pra substituir o velhinho. Iniciativas praticamente ignoradas né. Para falar mal do bom velhinho eu antes fui me abastecer de dados sobre no DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO, do CÃMARA CASCUDO. E reproduzo todo o verbete destinado ao PAPAI NOEL. Bom natal meninos e meninos !deseja-lhes o GRAFOLALIA. Para ilustrar este post uma gravura em linóleo de JORGE DE OLIVEIRA, grande artista gráfico, decano da arte do ex libris no Brasil , que me chegou como cartão de natal. O qual agradeço aqui no ar.

PAPAI NOEL Veio para o Brasil na segunda década do século XX e sua vulgarização é posterior a 1930.Figura de obrigação formal nos festejos do natal, e sempre de iniciativa oficial e letrada, jamais popular. Com a felpuda e rubra indumentária de inverno polar, dificilmente ajustar-se-á à normalidade resplandecente do verão brasileiro, dezembro ardente, de praias amplas, trajes lijeiros e luminosidade cegante. Sem a mais remota e fortuita ligação com o ciclo do Natal católico de Espanha e Portugal , fontes do culto no Brasil, é de efeito mais hilariante que venerando na apreciação coletiva. As credenciais de sua popularização na Europa do Norte, frio, gelo, nevoeiro, ficaram materialmente nulas na passagem da equinocial. Na Europa a história do Papai Noel é estória confusa e difusa.Resumo compósito, , reúne traços da lendas de S.Klaus e de S.Nicolau, padroeiro da Rússia Imperial, do Bonhomme Noel, que o fixa na França, do Bonhomme Janvier, presenteador francês durante a festa dos Reis (6 de janeiro),, e mesmo do esquecido Père Fouettard, que trazia um molho de varinhas para os meninos maus. Dizem-no morador do Pólo Norte, e viaja cada fim de ano, num trenó puxado pelas renas douradas, numa velocidade de pensamento, carregado de brinquedos. Entra nas casas, pré-destinadas a sua visita, pela chaminé, enchendo de surpresas bonitas as meias e os sapatos enfileirados ao pé da lareira, na noite de 24 para 25 de dezembro, pleno inverno europeu. Na lenda de S.Nicolau, este atirou uma quantia em ouro, para ajudar a um vizinho e as moedas caíram dentro da meias ou sapatos que estavam no fogão. É uma versão popular que não consta da La Légende Dorée ( I, 25, Garnier, Paris, s/d), do arcebispo de Gênova , Jacques de Varaggio(1230-1298). Não conheço representação do Papai Noel antes do século XX e assim mesmo depois dos primeiros vinte anos.. A figura inevitável era S.Nicolau ou S.Klaus, com indumentária bem diversa, hábito talar, carapuça cônica, barba em ponta (Richard Weiss, Volkskunde der Schweiz, 169-173,, Elembach Zurich, 1946). Os alemães foram grandes divulgadores do Papai Noel, como haviam sido da árvore de natal. Na América, o mais antigo desenho foi publicado em Nova Iorque, no Harpers Ilustratede Weekly, em dezembro de 1863, composição do bávaro Thomas Nest ( 1840-1902), naturalizado norte-americano. Esse desenho de Nast foi o inconsciente modelo para milhares de cópias e de plágios, na Europa, de torna-viagem, no continente americano. Não conseguiu o Papai Noel zona de conforto na Península Ibérica e nem mesmo na Itália, onde o Menino-Deus, Gesú Bambino, o presépio, mantém suas prestigiosas simpatias na predileção popular para o natal e suas alegrias domésticas. Natali cuoi,tuoi/ Capo d´anno com chi vuoi! , dizem os italianos. Na Itália não há Papai Noel e os presentes de Reis são ofertas da bruxa Befana, vestida de negro, cavalgando uma vassoura, com o saco repleto de dádivas. Na Espanha os distribuidores são magnificamente escolhidos nas pessoas dos três Reis Magos. Todos deixam os brinquedos nos sapatinhos e meias expectantes ao calor do fogão solitário.
por JoãoAntônioBührer às 12:48 AM 12:48 AM





A gravadora Philips na década de 60 encampou a idéia da Elenco, que praticamente só lançou bossa-nova, e quando esta gravadora começou perder fôlego ela pegou o bastão. A própria Philips iria comprar o selo do Aloizio de Oliveira e o anexaria a esta gravadora. Pois ela alem dar gaz pra segunda geração da bossa-nova deu guarida ao tropicalismo e a MPB, rótulo que deram pra moderna música popular brasileira. Mas não era nada disto que eu queria falar, tinha pensado em começar dizendo é da capa do lp, bem no estilo da Elenco, com forte contraste preto/branco, só que no caso não é o design de César Villela e sim a caricatura de Lan. Uma terna caricatura do ítalo-brasileiro sobre a grande Nara. O lp é de 1967, produzido pelo próprio Aloysio de Oliveira e com arranjos de Oscar Castro Neves. A obra tem um repertório exato, daquelas intérpretes que tem a sabedoria de dosar músicas de compositores consagrados com os novos talentos. A Nara em seu tempo foi muito criticada, não pelo repértório, que é absolutamente irrepreensível, mas sim por não ter voz, requisito das grandes cantoras. Acompanhava as critivas sem concordar,mas no fundo sabia que a própria critica a admirava muito. Hoje, com o distanciamento do tempo a gente percebe que a voz dela era simples e precisa para aquele tipo de música. Nunca me esqueço de uma reportagem da revista Manchete em que puseram frente a frente a Nara com o Vicente Celestino, a Nara disse o que achava dele e o Vicente o que analisava da música da Nara. Vicente teceu os melhores a Nara, então uma cantora frontalmente oposta ao conceito dele de cantar. Um dia reproduzo aqui todo o diálogo entre os dois..
por JoãoAntônioBührer às 12:41 AM 12:41 AM


Dezembro 22, 2003


Me parece que a primeira capa que o mestre EUGENIO HIRSCH produziu para a Editora Civilização Brasileira, onde brilhou neste setor, foi LOLITA de Nabokov, em 1959.Porem esta capa de O AMANTE DE LADY CHATTERLEY, de D.H.LAWRENCE, também deve ter sido uma das que primeiro realizou na sua carreira de artista gráfico. Eugenio era muito irreverente, maluco mesmo, a ponto de colocar as iniciais do Lawrence, que antecedem seu nome, entre sinais de mais. Brincou somando D + H + LAWRENCE. Só faltou ele terminar a blague colocando que tudo isto é igual ao titulo do livro. Ficaria assim:
D + H + LAWRENCE = O AMANTE DE LADY CHATTERLEY

por JoãoAntônioBührer às 3:24 PM 3:24 PM


Dezembro 21, 2003


Se existe um super-herói nestes tempos pós modernos, né Betão, este é o ARNALDO, que sozinho edita o site RELEITURAS. Para quem não sabe este site trouxe para si a incunbencia de republicar crônicas , contos e poesias, que saíram por aí e estão esquecidas. Uma maneira que ele arrumou de revalorizar textos que estão amarelecidos , em coleções de jornais ou livros esgotados. Ou simplesmente esquecidos . O Arnaldo às proprias custas faz tudo isto e ainda publica coisas maravilhosas, como este cd-room , numa edição particular do site Releituras. Consta 150 fotografias de PAULO AFONSO A TEIXEIRA, sobre o Rio de hoje, alem de outras 100 imagens do rio antigo. O Paulo é colaborador do Releituras e foi justamente ele quem fotografou o Ri ode hoje e coletou as fotos do Rio antigo. O que é genial neste cd-room é que não precisa ficar clicando nada. A gente poe e as imagens vão passando na frente da gente, como se fosse num filme. Um trabalho dos melhores que o RELEITURAS fez. Mas é para poucos, infelizmente. Como diria o Paulo Francis, sorry periferia...
por JoãoAntônioBührer às 4:45 PM 4:45 PM


Dezembro 13, 2003

Outro dia fui a São Paulo e adquiri por um real , num bazar, o livro AVE PALAVRA, de Guimarães Rosa. O livro é póstumo, contém artigos, poemas, reportagens e outros escritos de Rosa, publicados em jornais e revistas pela vida afora.Há coisas interessantíssimas, como por exemplo uma reportagem sobre uns colonos japonês, instalados em Goiás. Há também frases engraçadas, como estas definições que ele arranjou para os bichos do zoológico. Muito zen o nosso Guimarães.
Vejam algumas reflexões dele sobre bichos.:


Duas zebras brigam: se atiram contra e contra, empinadas ¿ e tudo, zás, zás, são relâmpagos.

A toupeira, encapuzada: que é uma foca só subterrânea.

O jovem leopardo coreano ¿ cabeçudo e gatorro ¿ sofre de seriedade.

O dromedário apesar-de. O camelo, além-de. A girafa, sobre-tudo.

As gazelas assustadas alinham-se fléxifácilmente.

O esquilo, quase bípede.

A coruja não agoura: o que ela faz é saber os segredos da noite.

Pavões, gaviões e raposas ¿ gritam com idêntica tirsteza.

Se tudo animal inspira sempre ternura, que houve , então, com o homem?
(O globo)


por JoãoAntônioBührer às 4:56 PM 4:56 PM




Mais uma ilustração de JUAREZ MACHADO, dirão os mais assíduos. O sujeito fica um tempão sem postar e quando resolve vem lá com outra imagem do Juarez.Vocês podem achar que é repetição, nem é tanto assim, por sinal não falo nele há dezenas de posts.Mas fiquem goela abaixo com mais este belo desenho do homem nonsensical, numa capa da revista Visão de setembro de 1975.
Seguinte. Está difícil de postar aqui. Primeiro que o blogger anda danado que dói.Nem bem eu entro lá pra por uma imagem ou post e eles dizem que meu tempo expirou-se.Outros fatores me deixaram afastado também. Este computador pegou um vírus, sei lá de onde nem como. Sem falar que perdi minha conexão 24 horas. Os caras vieram aqui e tiraram ela de mim, era internet via rádio. Disseram que no meu prédio só tinha eu, que estava tendo prejuízo. Dito tudo isto peço-lhes paciência pra passar esta turbulência.

por JoãoAntônioBührer às 4:19 PM 4:19 PM


Dezembro 6, 2003

O nosso amigo Betão traduziu pra gente dois limeriques (limerick), se alguém for versado na língua inglessa e quizer tentar uma tradução para eles aqui estão . O próprio Betão não é lá muito fã deste tipo de poesia , tenho certeza que vai entrar nos comentários e desancar os versos e até mesmo sua tradução, se é que o conheço bem. Pra quem não sabe, limerick é uma forma poética muito praticada na Inglaterra. Quem curtia muito era o EDWARD LEAR, aqui no Brasil o Millõr fez muito também, claro que adaptando a estrutura para nossa língua.Então vamos aos versos e a tradução ótima do Betão.


A publisher once went to France
In search of a tale of romance;
A Parisian lady
Told a story so shady
That the publisher made an
advance.

WILLIAN S. BARING ¿GOULD,
In THE LURE OF THE LIMERICK


Um editor foi uma vez para a França
Em busca de um conto romantico
Uma senhora parisiense
Contou uma estória tão sombria
Que o editor pagou adiantado! 9:
(tradução José Roberto- BETÃO- Palaio)


Two elephants-Harry and Faye-Couldn´t
Kiss with their trunks
In the way.
So they boarded a plane.
They ´re now kissing in Maine,
`Cause their trunks got sent on
to L.A.

KATHRYN LEON
In INTERNATIONAL WILDLIFE


Dois elefantes--Harry e Faye--
Não podiam se beijar com a tromba atravancando.
Então toparam um avião,
Eles agora se beijam no Maine
Pois embarcaram as trombas para Los Angeles.
(tradução de José Roberto-BETÃO-Palaio)

por JoãoAntônioBührer às 8:15 PM 8:15 PM


Dezembro 4, 2003


Não é qualquer caricaturistas que tem suas criações estampadas em selos dos correios, quando isto ocorreu é sinal de que finalmente o artista alcançou a eternidade. A caricatura é pouco explorada nestas estampinhas. Talvez reflexo da sua marginalidade, dentro das artes plásticas ainda é considerada uma arte menor. Pergunto-lhes, alguém paga uma fortuna por um original de um caricaturista? Nos Eua os correios de lá fizeram uma bela série feita pelo genial AL HIRSCHFELD, que morreu há poucos meses, quase centenário. A série era sobre os comediantes do cinema e do rádio. Vêem aí a belíssima caricaturinha de ABBOT & COSTELLO.
por JoãoAntônioBührer às 1:26 AM 1:26 AM





Existem coisas que a gente acha que sempre existiram. É o caso de A CANÇÃO DE ANIVERSÁRIO, o PARABÉNS PRA VOCê. Estou lendo um antigo exemplar da Revista Esso e lá estão muitas explicações que eu desconhecia. Não sabia que antigamente não se cantava nada na hora do niver. Juntava-se um monte de gente em volta do aniversariante e do bolo e se referiam a ele em voz alta. Arrisco a imaginar que se gritava o nome puro e simples. Nasci no meio da década de 50, e o incrível é que poucos anos antes não havia Parabéns pra Voocê. Mas quando eu era menino a impressão que eu tinha é que a música era imemorial, se perdia na noite dos tempos.
O Maestro Vicente Paiva , que ia muito aos Estados Unidos, nos anos 30 introduziu a melodia de HAPPY BIRTHDAY TO YOU, isto no Cassino da Urca. Daí foi um passo pra Rádio Nacional, através do radialista ALMIRANTE, produzir um concurso pra que se fizesse uma letra . Isto foi em outubro de 1941, pela Radio Nacional, e quem ganhou foi a poetisa de Pindamonhangaba LÉA MAGALHÃES. O concurso terminou em fevereiro de 1942, sendo que os versos da Lea foram:
PARABÉNS, PARABÉNS
NESTA DATA QUERIDA.
MUITAS FELICIDADES,
MUITOS ANOS DE VIDA.
Notem que o povo deu uma contribuição pra que a letra mudasse, para a que pegou de fato, que foi trocar o segundo parabéns pelo PRA VOCÊ.
Muitos artistas no Brasil tentaram fazer uma canção para esta data , mas nenhuma pegou de fato. Alvarenga e Ranchinho fizeram FELIZ ANIVERSÁRIO, em 1941; depois em 1945 o próprio maestro Villa Lobos , com versos de Manuel Bandeira, também não conseguiu emplacar. José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro em 1949 voltaram a carga e nada conseguiram, a música chamou-se CANÇÃO DE ANIVERSÃRIO. Roberto Martins e Wilson Batista também fizeram a sua PARABÉNS PARA VOCE cantado pela Aracy de Almeida e necas de pegar a música.
Todo este pessoal de peso não conseguiram suplantar os versos simples de Lea e a música da educadora americana MILDRED J. HILL. Ela foi uma educadora muito avançada em seu tempo. Em sua sala de aula entoava com seus alunos uma cantiga sua chamada GOOD MORNING TO ALL, entoada diaariamente com seus alunos. Aí adaptou esta melodia para o dia do aniversário dos alunos. E a cantiga ficou assim:
HAPPY BIRTHDAU TO YOU
HAPPY BIRTHDAY TO YOU
HAPPY BIRTHDAY.... (nome do aniversiante)
HAPPY BIRTHDAY TO YOU.
A musica passou pelos muros da escola da educadora e ganhou mundo.Chegando aos ouvidos do maestro Vicente Paiva que a trouxe pra c á. Para terem uma idéia a Mildred nasceu em 1859 e morreu em 1916. A revista que li não diz quando a música foi composta, ma dá pra gente imaginar que foi no final do século XIX. Claro que o Brasil não adotou o Parabéns americano, embora com letra brasileira, por acaso. Nos anos 40 o Brasil já estava imbicando em direção a América do Norte. Lembro que em 1942 a revista Seleções, baluarte da cultura americana, também publicava aqui seu primeiro número. A pesquisa da revista é até o final dos anos 50. Fico imaginando comigo. Puxa vida, ninguém compôs nada que pudesse competir com este Parabéns pra Você? A meu ver não é uma música assim tão boa. Nem os versos são lá muitos bons. Acho que ainda ta em tempo de se mudar. Quem sabe alguém pudesse compor um samba...

por JoãoAntônioBührer às 1:24 AM 1:24 AM