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Rossana Fischer
  Setembro 23, 2004

O jornal RAPOSA, editado pela Fundação Cultural de Curitiba, em 1982, foi dos mais criativos e irreverentes que já se publicou em terras brasileiras. Se inseria no âmbito das publicações alternativas, que vinham já do começo dos anos 70, embora tivesse vindo à luz por meio de um órgão oficial, pretensamente careta. Quem editava este jornal de arte e humor, também rumor , como se proclamava na capa, era o MIRAN, extraordinário cartunista mais editor de arte. O jornal combinava o melhor texto com o mais fabuloso visual, tudo com o espaçamento e a diagramação limpa do Miran, que abusava dos espaços livres e as vezes até saturava. Nada a ver com os editores de arte de hoje que com um programa de computador pensam que sabem editar uma página. Passar os olhos por este jornal é um exercício de inteligência e beleza. A brincadeira durou onze números, sendo que um deles foi o número zero.Depois o Miran faria a fantástica revista GRÁFICA, igualmente bela e bem editada, só que mais rica e em papel couchê.O jornal RAPOSA era em papel jornal e no formato tablóide, como era comum na imprensa alternativa dos anos 70, e a tardia RAPOSA adotou o formato. Podia ser a ROLLING STONES brasileira, ou uma seqüência do BONDINHO.
por JoãoAntônioBührer às 6:11 PM 6:11 PM


Setembro 2, 2004

MARCIANITA

Quando ouvi MARCIANITA, nos anos 70, na interpretação do CAETANO VELOSO & MUTANTES, me encantei na hora com este rock argentino. Sim, tinha sido gravado originalmente pelo cantor portenho(nasceu em Buenos Aires, em 1936) BILLY CAFARO,
no seu primeiro lp, lançado em 1958. Este argentino pegou a onda de BILL HALLEY E SEUS COMETAS, e gravou no mesmo estilo, ainda não era bem rock in roll, tinha ainda muito do som das big bands. Mas já era um pré-rock, e que fez muito sucesso aqui no Brasil, consta que este cantor argentino vinha muito ao Brasil.Pelo que me contaram, não me lembro, até os anos 70 ainda existia vestígios da carreira do argentino aqui no Brasil. Eu no entanto me lembro das versoes brasileiras, do começo dos anos 70, nas vozes daqueles fabulosos cantores, do rock brasileiro , falo naturalmente de antes da jovem-guarda. SERGIO MURILLO e BOBBY DE CARLO gravaram MARCIANITA com grande sucesso, embora as gravações dos dois fossem praticamente identicas, as vezes nem dá pra reconhecer quem é quem. Só vai fazer uma versão mais original, com guitarras cortando , num ritmo mais lento, em pleno tropicalismo, é o CAETANO VELOSO, numa versão realmente maravilhosa. Andei comparando as versoes de Sergio, Bobby e Caetano e vejo que eles respeitaram bem a versão de FERNANDO CESAR, para a letra original de MARCONI e ALDERETO, gravada em castelhano nos anos 50 . Quando o grupo RUMO gravou seu lp ao vivo, em 1992, regravou este rockzinho mas mudando um pouquinho a letra, na verdade deram uma adaptadinha, coisa que não precisava. Quem voltou a regravar foi a GAL COSTA, agora numa versão bem axé, presumo que dos anos 90(não conseguir descobrir em que lp está ), também respeitando a versão brasileira que já vinha dos anos 60. Finalmente termino este dossiê MARCIANITA falando de uma novidade, que vem com o LEO JAIME, que regravou-a, imprimindo nela seu estilo bem anos 50. Não sei se lembram mas LEO JAIME é um ótimo roqueiro, que nos anos 80 gravou seus rocks bem ao estilo retrõ. Quem não lembra de seu fabuloso lp SESSÃO DA TARDE, de 1985? Quem não lembra do hit AS SETE VAMPIRAS, do filme homônimo? Vai ser um sucessão, tenho certeza, inda mais que vai ser tema da novela da sete, que acaba de estreiar.Tomara que seja mesmo, LEO JAIME , merece fazer sucesso novamente , com seu estilo retrõ-moderno. Pode parecer contraditório mas é verdade, seu estilo é moderno e ao mesmo tempo se refere a todo momento ao rock dos anos 50.

MARCIANITA
(Marconi e Aldereto- versão brasileira F.César)

Esperada Marcianita,
asseguram os homens de ciência que em dez anos mais tu e eu,
Estaremos bem juntinhos e nos cantos escuros do céu falaremos de amor.
Tenho tanto , te esperado.
Mas serei o primeiro varão a chegar até onde estás.
Pois na terra, sou logrado,
em matéria de amor eu sou sempre passado pra trás.
Eu quero um broto de Marte que seja sincera,
que não se pinte, não fume e não saiba sequer o que é rock in roll.

Marcianita, branca ou negra.
Gorduchinha, magrinha, baixinha ou gigante serás meu amor.
A distancia nos separa, mas no ano 70 seremos felizes os dois.

(tirei este letra depois de ouvir a gravação original mais de dez vezes, não sei se está correta. Quem sabe...? Depois de copiar a letra me passou pela cabeça que o autor,
imaginava que em 1970 o homem já teria chegado a Marte. Errou, chegamos na Lua.Mas o que me impressionou foi o conservadorismo dele, que queria uma mulher antiga, mal sabia ele que nos anos 60 /70 tudo iria mudar. Esta mulher que ele queria não existe mais. Pro bem ou pro mal, quem sabe....)

JOÃO ANTONIO BUHRER DE ALMEIDA
SETEMBRO 2004
(





por JoãoAntônioBührer às 8:28 PM 8:28 PM